Agarrem-se, a Montanha-Russa está de volta!

Falar da adolescência.

Pensar a adolescência.

Divagar sobre a adolescência.

Criar sobre a ADOLESCÊNCIA.

Iniciar uma procura.

Chamar adolescentes, ler o que escrevem os ADOLESCENTES

Observar, pedir opinião, registar.

REFLECTIR.

PROCURAR em cada um de nós o adolescente que fomos.

Encontrar o ADOLESCENTE que (ainda) somos.

Criar sobre cada um de NÓS.

A adolescência, um estado que se perpetua para o resto da vida nesta INQUIETA procura de nós próprios.

WHO AM I?

(texto sobre o espectáculo Montanha-Russa || Publicação original Fevereiro 2018)

Fotografias João Tuna

Ciclone, eixo central da narrativa criada e da própria Montanha-Russa,

que é o nome da peça e que é também o elo de ligação entre os quatro personagens desta... peça.

Está tudo ligado.

Como na adolescência.

Nesta Montanha Russa, cada personagem encarna uma época, é a adolescência datada.

Cada data revela um tempo através de simbologias visíveis, espelhadas em cada personagem.

O tempo vive nas palavras escolhidas, no ritmo, na atitude e naquilo que, sendo acessório, foi apropriado por cada um dos quatro actores em palco.

música, peça também fundamental e de ligação, dá voz e enche de significado cada intervenção, com letras onde toda a palavra é escolhida de forma intencional, provocatória e com muito sentido de humor.

Humor tão característico da adolescência;

Humor, o bom e o mau, intenso como uma montanha-russa. Devastador como um ciclone.


Num palco partilhado entre actores e músicos, numa dinâmica tão complementar que se torna fusão, onde o turbilhão das incertezas vai ocupando as certezas mesmo dos que, à partida, nem estariam ali para isso.

Certezas, tantas como as incertezas profundas que se instalam e passam a fazer parte da vida de todos os que se arriscam continuar a perguntar-se: WHO AM I?

A procura inquieta de um sentido para a existência, que começa na adolescência, mas que se prolonga. Que começa num certo tempo passado e se mantém num incerto tempo futuro.

Adolescência um conceito intemporal, tão pessoal que é transversal a todos, nessa incoerência tão própria da própria adolescência.

Este espectáculo, desenhado pela dupla Inês Barahona e Miguel Fragata, à qual se juntou outra dupla criativa, a Manuela Azevedo e o Hélder Gonçalves conta com um elenco de luxo, uma verdadeira Dream Team: Anabela Almeida, Bernardo Lobo Faria, Carla Galvão, Miguel Fragata e os músicos Hélder Gonçalves, Manuela Azevedo, Miguel Ferreira e Nuno Rafael; tem ainda a colaboração do José António Tenente na criação do guarda roupa/figurinos, o Nelson Carvalho no som, e o trabalho da ilustradora e muito talentosa Maria Remédio, que preparou um riquíssimo documentário com base em todo o processo vivido.

Esta Montanha Russa é resultado de uma longa caminhada, mais de um ano e meio de preparação. Foi delineado um plano que tinha como ponto de chegada a criação artística, um espectáculo que ninguém sabia o que seria, apenas a certeza de que o resultado seria espelho do percurso vivido.

Reuniram-se diários de adolescentes, escritos entre a década de 70 e os dias de hoje, criou-se um comité de consulta composto por adolescentes que eram alvo de diferentes acções e que contribuíram activamente para o desenrolar da criação, houve oficinas de escrita para canções com a Capicua e o Pedro Geraldes, vários momentos de formação e encontro, todos registados pela Maria Remédio.

Material em bruto que foi posteriormente trabalhado e resultou no documentário "Canção a meio".

Um trabalho muito interessante e complexo, tal como a própria adolescência; Complexo e denso.

Estreou no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, há aproximadamente um ano atrás e depois seguiu para uma tournée bem intensa.

 Montanha Russa, regressa agora em Janeiro de 2019 aos palcos de Guimarães e Lisboa e mantém-se, como desde o início, à beira do abismo, como um objecto vivo, uma espécie de obra inacabada que só se completa na sua relação com o publico, como um adolescente que procura espelho  no seu grupo de pares, verificando a intenção das suas acções na interpretação do outro.

Quer-se do público uma atitude viva.

Este é um espectáculo que não deve ser consumido de forma displicente, deve ser tomado tal qual a prescrição. 

Devem ser lidas todas as informações disponibilizadas, devem ser disponibilizadas todas as forças interiores.

Ler atentamente o folheto interior que vem na embalagem do medicamento. Só assim o efeito é assegurado!

Quem não sair da sala com a pergunta WO AM I a ressoar na cabeça é porque não se permitiu a sentir a emoção da MONTANHA-RUSSA  sentado na cadeira de um teatro. 

placebo da emoção é um recurso essencial para quem se quer manter vivo e alerta neste ciclone que é a vida/adolescência.

Fotografias Miguel Manso

MONTANHA-RUSSA

18 - 19 Janeiro 2019

CENTRO CULTURAL VILA FLOR - GUIMARÃES

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23 - 27 JAN 2019

QUA E SÁB, 19H > QUI E SEX, 21H > DOM, 16H

TEATRO NACIONAL D. MARIA II - LISBOA

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Fotografia  Filipe Ferreira

Fotografia Filipe Ferreira

Alexandra Neves daSilva