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Adolescência || Montanha Russa e o placebo da emoção


Falar da adolescência.
Pensar a adolescência.
Divagar sobre a adolescência.
Criar sobre a ADOLESCÊNCIA.

Iniciar uma procura.
Chamar adolescentes, ler o que escrevem os ADOLESCENTES
Observar, pedir opinião, registar.
REFLECTIR.

PROCURAR em cada um de nós o adolescente que fomos.
Encontrar o ADOLESCENTE que (ainda) somos.

Criar sobre cada um de NÓS.
A adolescência, um estado que se perpetua para o resto da vida nesta INQUIETA procura de nós próprios.

WHO AM I?

(texto sobre o espectáculo Montanha Russa || Teatro Nacional D. Maria II)





Ciclone, eixo central da narrativa criada e da própria Montanha Russa,
que é o nome da peça e que é também o elo de ligação entre os quatro personagens desta... peça.
Está tudo ligado.
Como na adolescência.

Nesta Montanha Russa, cada personagem encarna uma época, é a adolescência datada.
Cada data revela um tempo através de simbologias visíveis, espelhadas em cada personagem.
O tempo vive nas palavras escolhidas, no ritmo, na atitude e naquilo que, sendo acessório, foi apropriado por cada um dos quatro actores em palco.

A música, peça também fundamental e de ligação, dá voz e enche de significado cada intervenção, com letras onde toda a palavra é escolhida de forma intencional, provocatória e com muito sentido de humor.
Humor tão característico da adolescência;
Humor, o bom e o mau, intenso como uma montanha russa. Devastador como um ciclone.

Num palco partilhado entre actores e músicos, numa dinâmica tão complementar que se torna fusão, onde o turbilhão das incertezas vai ocupando as certezas mesmo dos que, à partida, nem estariam ali para isso.

Certezas, tantas como as incertezas profundas que se instalam e passam a fazer parte da vida de todos os que se arriscam continuar a perguntar-se: WHO AM I?

A procura inquieta de um sentido para a existência, que começa na adolescência, mas que se prolonga. Que começa num certo tempo passado e se mantém num incerto tempo futuro.

Adolescência um conceito intemporal, tão pessoal que é transversal a todos, nessa incoerência tão própria da própria adolescência.



Este espectáculo, desenhado pela dupla Inês Barahona e Miguel Fragata, à qual se juntou outra dupla criativa, a Manuela Azevedo e o Hélder Gonçalves conta com um elenco de luxo, uma verdadeira Dream Team: Anabela Almeida, Bernardo Lobo Faria, Carla Galvão, Miguel Fragata e os músicos Hélder Gonçalves, Manuela Azevedo, Miguel Ferreira e Nuno Rafael; tem ainda a colaboração do José António Tenente na criação do guarda roupa/figurinos, o Nelson Carvalho no som, e o trabalho da ilustradora e muito talentosa Maria Remédio, que está a preparar um documentário com base em todo o processo vivido.

Esta Montanha Russa é resultado de uma longa caminhada, foi há mais de uma ano e meio que foi delineado um plano que tinha como ponto de chegada a criação artística, um espectáculo que ninguém sabia o que seria, apenas a certeza de que o resultado seria espelho do percurso vivido.

Reuniram-se diários de adolescentes, escritos entre a década de 70 e os dias de hoje, criou-se um comité de consulta composto por adolescentes que eram alvo de diferentes acções e que contribuíram activamente para o desenrolar da criação, houve oficinas de escrita para canções com a Capicua e o Pedro Geraldes, vários momentos de formação e encontro, todos registados pela Maria Remédio.
Material em bruto para ser trabalhado e resultar no documentário "Canção a meio" que vai ser apresentado no dias 11, 25 e 27 de Março.
Um trabalho muito interessante e complexo, tal como a própria adolescência; Complexo e denso.

Prestes a estrear na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, e com uma longa tournée já agendada, Montanha Russa encontra-se agora à beira do abismo, como um objecto vivo, uma espécie de obra inacabada que só se completa na sua relação com o publico, como um adolescente que procura espelho  no seu grupo de pares, verificando a intenção das suas acções na interpretação do outro.
Quer-se do público uma atitude viva.

Este é um espectáculo que não deve ser consumido de forma displicente, deve ser tomado tal qual a prescrição. 
Devem ser lidas todas as informações disponibilizadas, devem ser disponibilizadas todas as forças interiores.
Ler atentamente o folheto interior que vem na embalagem do medicamento. Só assim o efeito é assegurado!

Quem não sair da sala com a pergunta WO AM I a ressoar na cabeça é porque não se permitiu a sentir a emoção da MONTANHA RUSSA  sentado na cadeira de um teatro. 
placebo da emoção é um recurso essencial para quem se quer manter vivo e alerta neste ciclone que é a vida/adolescência.




Fotografias de ensaio de Filipe Ferreira

MONTANHA RUSSATeatro Nacional D. Maria II

9 - 27 MAR 2018 
QUA, 19h > QUI - SÁB, 21h > DOM, 16h
27 mar - Dia Mundial do Teatro, 21h
Sala Garrett duração 90 min.
 M/12

Noite teen friendly
23 mar, após o espetáculo / átrio
Nesta noite, um grupo de consultores adolescentes transformará o Átrio do D. Maria II num espaço teen friendly, onde não faltará muita música para dançar a verdadeira montanha-russa que é a adolescência.

Conversa com os artistas
18 mar, após o espetáculo moderação Maria João Guardão

Sessão Descontraída, com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e com Audiodescrição
18 mar

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