/ 1.11.17 / 1 Comment / , , , , ,

Um dia não são dias e festa, é festa!


Festas de aniversário: um mundo muito diverso e por vezes até um pouco assustador...
O que me fez escrever esta publicação foi uma experiência concreta que vivi há pouco tempo: O BoNheko foi uma festa de um colega da escola que fez 5 anos, foi à sua primeira festa de aniversário num local que existe especificamente para este efeito.




Nós gostamos de festas, quando as meninas eram pequenas sempre comemorámos os seus aniversários com amigos e família,  na casa dos avós, uma casa bem espaçosa e não muito longe de Lisboa.
A estas festas iam os amigos de sempre, a família e alguns amigos especiais da escola seleccionados criteriosamente pelas aniversariantes.
À parte disto, no dia dos anos fazíamos um bolo para levar para a escola e jantávamos em família.
Com o passar dos anos foram introduzindo alterações; começaram por querer que as amigas dormissem lá em casa, na véspera, para começar a comemoração logo à meia-noite e com a chegada da adolescência deram por terminadas as festas na casa dos avós, passaram a preferir ficar por perto para comemorar, acima de tudo, com os amigos da mesma idade.

O BoNheko faz anos numa data chata: quatro dias antes do Natal, ainda assim já lhe conseguimos fazer  algumas festas e, tal como com as irmãs, priorizámos o estar uns com os outros, com adultos e crianças a partilharem o mesmo espaço e usufruírem da companhia uns dos outros.
Para nós, as festas são excelentes momentos para reforçar os laços e esses não têm limite etário, acreditamos que só temos a ganhar com estas vivências partilhadas.

Mas, a festa a que o BoNheko foi, e que me fez escrever esta publicação, não era assim, era só para crianças e aconteceu num género de armazém numa zona industrial.
Este espaço tem uma zona de recepção onde existe uma loja e uma cafetaria e, ao fundo, a zona das festas; um espaço grande, cheio de piscinas de bolas, zonas de insufláveis e afins.

Os grupos são recebidos por jovens animadores que os marcam com uma pulseira igual à das urgências dos hospitais e os levam para a zona da suposta diversão, aí ficam durante aproximadamente duas horas a pular e a jogar, a empurrarem-se uns aos outros, numa excitação enorme incentivada constantemente pelos gritos dos ditos animadores.

Passado este período seguem, suados e esbaforidos, para um género de boxes onde é servido o lanche.
Este lanche é composto por tudo aquilo que todos sabemos que eles não devem comer, ou pelo menos não devem comer ao mesmo tempo: Chocolates, gomas, chupas, bolos e muitos refrigerantes.
Tudo sob a máxima: "... um dia não são dias e festa é festa!"

Este lanche, que incluí o momento do bolo de aniversário é, todo ele acompanhado por gritos de guerra proferidos pelos monitores e imitados pelos grupos, ao que juntam vibrantes murros na mesa, seja para dar vivas ao aniversariante, seja para exigir mais açúcar, agora em forma de gelado.

Como se pode perceber pelo meu tom, esta não é um tipo de festa que me agrade, e embora o mini rapaz tenha adorado, eu vim de lá em estado de choque e isto levou-me a pensar em várias coisas, nomeadamente o que é que é mesmo importante ter em conta quando pensamos em festejar o nascimento dos nossos filhos.

Neste assunto, cada cabeça sua sentença, cada um deve fazer as coisas conforme acredita ser o melhor e de acordo com as suas possibilidades, preocupações e prioridades. Mas parece-me importante repensar ou pelo menos... pensar nisto.



Organizar ou idealizar a festa de aniversário dos nossos filhos é uma coisa importante, reuni algumas ideias que podem ajudar a viver este momento especial com maior consciência e torná-lo um momento mais significativo para todos.

Uma das coisas básicas a ter em conta é a idade da criança, adequar a festa ao aniversariante. Não esquecer que é o principal interessado.
A escolha do espaço é um dos primeiros passos porque vai condicionar as escolhas seguintes.
Definir se vai ser uma festa predominantemente de adultos, crianças ou mista.
Definir o horário em função do aniversariante, uma festa das 15h às 18h para uma criança de 3 anos que faz a sesta é um "tiro no pé".

Segue-se a lista de convidados. Estabelecer uma ordem de prioridades facilita se tiver de haver limitações no número dos convidados.
Se a criança já tiver idade e nível de compreensão para tal, incluam-na nesta triagem.
Se não quer/pode convidar a turma inteira da escola não se lamente por isso, aproveite este exercício para reforçar a relação com o seu filho e ficar a conhecer melhor os seus amigos.
Uma ideia...
Escreva numa folha os nomes de todos, peça que arranje 2 características para cada um deles, pergunte quais são os com quem brinca mais, os que se sentam sempre perto dele, os que o ajudam nas tarefas mais difíceis... vá marcando e no fim tirem as vossas conclusões.
Depois disto ficou a conhecer melhor os colegas do seu filho e acima de tudo as suas emoções e sentimentos face aos colegas.

Tornar a festa um marco significativo não só pelo momento em si mas pelo caminho até lá chegar, envolver a criança ao máximo, na verdade isto tem muito mais importância do que os pratos e os copos estarem a condizer.

Pensar de avanço, se vai convidar muita gente e se prevê uma chuva de presentes "inúteis" vamos arranjar alternativas.
Junte familiares para oferecerem aquela presente especial e caro que sabe que o aniversariante tanto gostava de ter.
Abra uma conta numa agência de viagens e peça dinheiro para ir fazer uma viagem, por exemplo, à selva.
Sugira aos colegas da escola que ofereceçam livros e construam um projecto de leitura em conjunto com a escola.
Peça fraldas de recém nascido e vá com a criança oferecer a uma instituição de apoio a bebés ou ao hospital. Fotografe o momento e depois envie para as pessoas que contribuíram.
Em vez de uma prenda peça que ofereçam um valor em dinheiro e aluguem uma carrinha para irem a um local especial: ao Badoca Parque, se a criança for apaixonada por bicharada.
Peça material de campismo e saiam para a aventura no fim de semana seguinte.

Pense, arrisque, seja original e acima de tudo adeqúe a festa aos verdadeiros interesses do seu filho, vá além do gosto que ele agora manifesta pela Patrulha Pata, resista a fazer igual aos outros ou a fazer por fazer.
Evitar o caminho mais fácil normalmente leva-nos a bom porto.

Comemorar o dia em que o nosso filho nasceu é um marco importante e devemos fazer com que seja um momento próprio, que revele o que nós somos, o que gostamos e o que em família valorizamos.

Ficam aqui também algumas ideias de locais e tipos de festas, porque somos todos muito diferentes e devemos mesmo respeitar a nossa diferença nas pequenas e grandes decisões, nos dias normais ou nas comemorações especiais.
Afinal... um dia não são dias e festa, é festa!

Em casa, ou até fora de casa...
Têm uma alegria contagiante e fazem as delicias dos miúdos, não sendo o tipo de animação que mais aprecio, reconheço que são fantásticos e o sucesso é garantido: FUNtoche Eventos Infantis

Festas com um cheirinho a cultura
Museu Berardo
Museu do Oriente
Também podem reunir um grupinho e ir ver uma espectáculo ou uma exposição, depois fazer textos, pinturas ou histórias inspiradas nessa experiência e apresentar aos restantes convidados.

Festas para curiosos e engenhocas
Pavilhão do Conhecimento
Criar um peddy paper é um desafio muito giro mas exige algum tempo e muita vontade.

Festas para amantes de desporto
Desde o Ginásio Clube Português, aos clubes de futebol ou os espaços específicos da área, esta deve ser a variante com mais oferta.
Nesta opção eu acho importante que se façam equipas mistas, há uma fase em que os rapazes só querem convidar meninos e elas só querem as amigas, sempre tentei contrariar isto, acho mais rico para todos.

Festas para quem adora animais
Visitar e cuidar dos animais no Cantinho dos Póneis,
Quintas pedagógicas ou o clássico Zoo

Feliz aniversário e divirtam-se!


Fotografias Vitorino Coragem

Esta publicação não é resultado de nenhum tipo de colaboração ou publicidade, as referências foram seleccionadas com base na experiência vivida e no conhecimento que tenho dos locais e serviços mencionados.
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1 comentário:

  1. Connosco as festas sempre foram os amigos e família em casa, e também já fizemos nos "sítios próprios para festas" aos quais não acho piada nenhuma, mas os miúdos iam a festas e depois queriam uma igual. Dias não são dias, o pior é que há miúdos que vão a festas todos os fins de semana. Não foi o caso dos meus felizmente. Quando a festa era em casa seleccionávamos alguns amigos, aqueles que eles queriam. Hoje com 16 e quase 13 as festas são diferentes, mas continua o jantar em família e as saídas com os amigos, o de 16, a de 13 ainda não.

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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