/ 15.9.17 / 5 Comments / , , , , ,

Ainda agora começou e já estou exausta...


Esta semana eu vi mais acidentes na estrada do que nos últimos seis meses e alguns deles dentro de localidades, anda tudo louco e acelerado e hoje de manhã ouvi, numa conversa de mães, a frase: Ainda agora começou (o ano) e já estou exausta.

Esta altura do ano é particularmente exigente para a as famílias, não só a nível financeiro como também em termos de organização, de criação de novas rotinas, de necessidade de resposta em tempo escasso e de muita ginástica mental. É talvez o mês em que se sente mais o peso da carga mental, que é o conjunto de todas aquelas coisas que temos de pensar, antecipar e solucionar para que a vida corra sobre rodas.

O nosso início de ano até está a ser sereno, os dias são bem agitados dada a excitação das três adolescentes que estão em escolas novas mas, estamos a conseguir usufruir do melhor que tudo isto tem e a passar ao lado do habitual stress pós férias.
Perante isto eu comecei a pensar que estratégias e pequenas soluções é que nós temos vindo a implementar e que podem facilitar e agilizar este início de ano lectivo e devolver aos pais alguma tranquilidade, mesmo em certas vidas onde pais e filhos fazem lembrar hamsters a ripar na roda da gaiola...




Em primeiro lugar dou por mim a pensar nas correrias que se fazem no dia-a-dia e na verdadeira necessidade das mesmas. Devíamos conseguir pensar bem quais as nossas verdadeiras vontades e desejos, especialmente no que toca à vida em família onde as nossas opções e as consequências das mesmas, implicam os nossos filhos.
Para mim é muito importante conseguir relativizar e dar a devida importância às coisas, hoje em dia é tudo urgente e para ontem, eu, sempre que posso questiono essa urgência e estabeleço a minha própria ordem de prioridades (que normalmente é muito diferente da das minhas filhas e até de muitos dos adultos que me rodeiam).

Antecipar, planear e cumprir. Esta terceira palavra é o meu foco. Quantas vezes conseguimos até antecipar as situações, planear uma semana impecavelmente mas depois, lá para quarta feira acaba tudo por ser esquecido e não cumprimos com o que tínhamos pensado. Além de ser importante para os miúdos verem que nós cumprimos com aquilo a que nos propomos, é de facto importante para manter o barco no rumo certo.




Se fizermos tudo igual não podemos esperar resultados diferentes. Vamos lá pensar no que é que correu mal no ano passado, ou na semana passada, e inventar novas formas de fazer as coisas.
Usar a criatividade até nas tarefas mais rotineiras - são os pequenos pormenores que fazem a diferença. Por exemplo, juntar os filhos em volta da mesa enquanto dobram as cuecas e as meias pode ser bem divertido.

Partilhar com os miúdos as soluções encontradas para os problemas do dia-a-dia, pedir opiniões e discutir ideias
Por exemplo: o filho n.1 termina as aulas à mesma hora que o filho n.º3 começa a natação; Filho n.º1 pode ir ter à piscina? Há outros pais com filhos na natação que possam levar o filho n.º3 enquanto o pai ou a mãe vai buscar o n.º1? - Pedir ajuda aos miúdos para encontrar respostas.
Envolvê-los nas soluções é garantia de que se sentem mais parte do todo e se envolvem.
Hoje temos tendência de nos responsabilizar por tudo e querer poupar os miúdos a tempos de espera, trajectos feitos a pé e sozinhos, etc, eu acredito que a autonomia se constrói nestes pequenos passos e muitas vezes são eles que nos dizem que já estão prontos para os dar.

Acordar mais cedo, bastante mais cedo. O tempo que se está a roubar ao sono pode ser mesmo importante para um começo de dia tranquilo e com boa energia. O tempo é fundamental e não estica, aliás de manhã até parece que encolhe, sair da cama 15/20 minutos antes daquilo que nos parece suficiente vai dar o espaço necessário para termos calma e prestarmos alguma atenção uns aos outros logo no início do dia, e isso faz toda a diferença.



Sempre ouvi o meu pai dizer: Um assunto de cada vez. Ele era director da área da publicidade de uma grande empresa e esta era a sua forma de dar resposta a tudo sem entrar numa espiral de stress e ansiedade, eu aprendo muita coisa com ele e com a sua forma ponderada de olhar para os problemas. Ajuda muito termos bem clara a ordem de prioridades dos assuntos, mas depois é fundamental conseguir-mos dedicar-nos a um assunto/problema de cada vez, e assim que o resolvemos, colocamos uma pedra em cima e passamos ao seguinte.

Não encher demasiado o dia, conseguir dizer que não e usufruir dos fins de dia em família. Para mim, é sem dúvida a melhor parte do dia. O rebuliço na cozinha, o arrumar e preparar o jantar, enquanto os miúdos comem uma taça de fruta e contam as peripécias do dia. Eu gosto muito e fujo a sete pés de compromissos que me retirem deste momento chave do dia. Relativamente às actividades deles até prefiro encher a manhã de sábado do que os fins de dia.

Na entrevista que fiz à Mikaela Övén perguntei-lhe qual a sua opinião em relação às actividades extra escola e a resposta dela encaixa muito bem na minha forma de pensar, as actividades são óptimas desde que não sejam causadoras de stress na família.
O bom senso tem de imperar, e uma vez mais cada família deve ter, uma vez mais, bem clara a sua ordem de prioridade. Cá em casa houve um ano em que uma das meninas jogava andebol e os treinos eram das 19h às 20h30, nós não aguentámos, mexia demasiado com a nossa estrutura, com aquilo que para nós é fundamental - o tempo em conjunto, o jantar cedo e o deitar a horas
Claro que hoje elas já são mais crescidas e o paradigma começa a mudar, a mais velha foi estudar para Lisboa e há dias que não integra a nossa dinâmica mas, para nós, esta é uma premissa importante: todos em casa o mais cedo que conseguirmos!



Já aqui partilhei o meu ponto de vista em relação à utilização dos tablets e telemóveis na nossa casa. O desafio é deixarmos estes aparelhos na zona da entrada da casa, em silêncio de preferência, durante o período dourado que acontece aproximadamente entre as 18h e as 21h. Não é proibido mexer nos telemóveis, nada disso, mas não se anda pela casa com eles na mão nem no bolso.
Cá em casa somos dois freelancers e há a tendência para estarmos constantemente ligados, sempre contactáveis e a responder na hora às solicitações.
Sem ter consciência acabamos desligados do mais importante e damos um exemplo péssimo aos nossos filhos.
Esta medida para mim é de ouro e fundamental para o que quero para a minha vida.

Deixem os filhos a jantar sozinhos uma vez por semana. Temos esta prática há anos! Não saímos para jantar, apenas jantamos depois das 21h, hora do recolher das crianças. O meu dia favorito é à terça feira, porque é aquele dia mais difícil da semana, ainda falta imenso para o fim de semana e é um dia sem graça, mas na verdade qualquer dia pode ser bom.
Normalmente estamos presentes na hora de jantar dos miúdos, ou pelo menos um de nós está, temos as conversas do costume, combinamos o que há a combinar, arrumamos a cozinha e segue-se a rotina normal, por volta das 20h40/45 as meninas sobem para os quartos e o Bonheko vai lavar os dentes, escolhe a roupa para o dia seguinte e as histórias da noite - 2 ou 3, depende do tempo que ainda resta e do tamanho das histórias. Sou quase sempre eu que conto as histórias, porque adoro e porque o Nuno Rafael tem um jeito especial para preparar jantares a dois
Habitualmente, não cozinha nada de complexo mas é quase sempre temático, pode ser uma noite a puxar para  França com baguete, queijos e espumante, pode ter uma inspiração espanhola com várias tapas e cervejas artesanais, podemos dedicar-nos ao nosso Portugal com um bom enchido vindo directamente de uma quinta conhecida, um queijo mal cheiroso e um belo tinto ou, num dia mais especial um sashimi feito em casa com um branquinho gelado. Comemos na sala, numa mesa baixinha enquanto conversamos longamente ou espreitamos um episódio do Anthony Bourdain

Fotografias Joana Quintanilha

São as pequenas coisas que enriquecem a Vida em Família e nos tornam a todos pessoas mais equilibradas e capazes. Cada dia é uma nova oportunidade de fazer melhor e este, como qualquer reinicio, uma janela aberta para um ano novo que se constrói a cada dia que passa.
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5 comentários:

  1. Tão Bom ler algo que nos enche a Alma ♥ Obrigada!

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  2. Tudo certo, o desafio é mesmo gerir as inúmeras solicitações, ponderar as prioridades e fazer por aproveitar (com ou sem cansaço)

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    1. Olá Cristina, gerir as solicitações é mesmo uma tarefa complicada, passo a vida a tentar equilibrar as coisas mas muitos dias sinto que ao tapar a cabeça, estou a destapar os pés...
      Abraço.

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  3. Obrigada pela inspiração Alexandra :)
    Ana Leonor

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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