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Menino da mamã, Menina da mamã


Aos olhos das suas mães quais são as principais diferenças que distinguem os meninos das meninas? Serão apenas características de personalidade ou o sexo da criança é determinante na forma como vive o mundo e se relaciona com os outros? 
Pedimos a um grupo de Mães Amigas Nheko que partilhassem connosco a sua opinião e vivência face a estas questões.
Obrigada a todas as que participaram.



Começo eu,
Alexandra, mãe de 3 raparigas com 17 e 14 anos ( 2X ) e de um mini rapaz com 4 anos.

Ter um filho rapaz tem sido descobrir todo um admirável mundo novo.
Tenho três raparigas, duas delas gémeas e todas muito diferentes entre si.
Quando me diziam que os rapazes eram assim e as meninas assado eu torcia o nariz e dizia para os meus botões que isso era conversa de quem só tinha dois exemplares para comparar.
Durante muitos anos tive esta convicção, mas agora, com esta nova experiência de ter um filho rapaz, tenho vindo a perceber que não é bem assim.
Ele é diferente das irmãs, é realmente diferente.
Ele é mais simples, e esta é a característica mais evidente para mim. O pensamento dele é mais limpo, é mais a direito, é muito menos complexo.
É um rapaz muito meigo e afectuoso mas as irmãs também sempre o foram, ele diz vezes sem conta que sou linda e que me adora, mas elas também sempre manifestaram muito o afecto comigo. É super bem disposto mas isso parece-me uma característica dele que nada tem a ver com o facto de ser rapaz.
Mas a forma simples como vive o mundo é algo que não encontro em nenhuma das minhas raparigas. Face à questão de qual a grande diferença entre rapazes e raparigas, para já, acho que eles são mais simples.
Depois há comportamentos e brincadeiras de rapaz: as lutas de super heróis, a maluqueira da bola que me deixa os cabelos em pé e uma aptidão imensa para os jogos digitais, esta última acho que é mais fruto da época em que vive. O meu rapaz brinca tanto com carrinhos e comboios como com bonecas e cozinhas, mas é um facto que as suas brincadeiras são bem menos elaboradas do que as das irmãs eram.



Catarina Beato, mãe de 2 rapazes com 15 e 6 anos e de uma menina ainda bebé.

A verdade é esta: nunca imaginei ser mãe de uma menina. “Sou mãe de rapazes.” Essa era a minha certeza. 
Não sei maquilhar-me, não pinto as unhas, sou demasiado despreocupada com aquilo que visto. Não fui a menina que recebia elogios, era demasiado “rapaz” para isso. Era maior do que as minhas amigas, mais bruta que as minhas amigas, menos “menina”. Cresci com a amizade dos rapazes, com o “és cá dos nossos”, “és mesmo fixe”. 
“Sou mãe de rapazes”, pensei sempre, como se isso me protegesse de todas as questões que ficaram por resolver na minha adolescência. 
Tenho muito medo de ser mãe de uma menina, confesso, porque sei como são as dores de ser mulher. Mas sei que nesses momentos tinha o peito da minha mãe onde me aconchegava e chorava [ainda hoje o faço]. E a barba do meu pai que me repetia baixinho – e eu acreditava – que ia ficar tudo bem. "Sabes Maria Luiza estarei aqui para tudo o que precisares, para me zangar, para ser uma chata, para ser tua mãe". 
Tenho medo de ser mãe de uma menina apenas porque sou mulher e sei que isto do género ainda significa que muitas coisas são diferentes. Porque este mundo ainda assiste a situações gravíssimas em que as mulheres são maltratadas apenas porque são mulheres, porque ainda confundimos defender os direitos das mulheres com não poderem ser vaidosas ou mostrar o corpo. 
As mulheres não querem ser iguais aos homens, somos fisicamente diferentes, mas querem poder ser mulheres, da forma livre que o decidirem ser – suaves ou brutas, mães ou não, trabalhadoras em casa ou sem conseguirem ir a casa pelo cargo importante que têm, discretas ou despidas, cheias de pudor ou vergonha nenhuma, princesas ou camionistas. 
Agora sou mãe de uma menina. E espero conseguir que ela sinta essa liberdade e esse mundo de possibilidades. 
Sou mulher e mãe de dois meninos. E espero que eles saibam exactamente o mesmo. 
É esse o meu desafio neste dia e em todos os outros. 
Um dia,ela vai achar que eu sou uma chata, que nunca tenho razão, que os calções não são tão curtos como eu digo, nem as pessoas como quem fala na internet são tão perigosas como eu pinto, vai suspirar e revirar os olhos, vai tentar fechar a porta do quarto, vai chamar-me nomes no chat com a melhor amiga. 
Eu vou ensinar-lhe que “a chata” está sempre aqui, quando refilar, quando me abraçar, sempre que quiser. Ela é a minha menina.


Mikaela Övén, mãe de uma rapariga e dois rapazes

Tenho uma menina e dois meninos. A menina é a mais velha. Lembro-me muito bem da primeira troca de fralda do primeiro rapaz. Ele era tão parecido com a irmã recém-nascida e a única verdadeira diferença que havia era o facto dele ter pénis e não vagina. E se pensar bem, as diferenças entre eles ligadas ao género resumia-se ao que acontecia quando estavam sem fralda. Era mais fácil limpar os rapazes mas por outro lado com o pénis havia mais risco de apanhar molhadelas... Com o tempo claro que apareceram mais diferenças entre eles, mas quando as investigo são diferenças de personalidade que não dependem do género. 
Os três encaixam em alguns estereótipos de interesses... mas ao mesmo tempo que a minha filha adora maquilhagem um dos principais interesses dela é taekwondo. E enquanto os rapazes adoram futebol também já brincaram muito com bonecas... 
Mas há um outro tipo de diferença que nada tem a ver com eles, mas só comigo e a sociedade em que vivemos e a forma diferente como se trata não só meninas e meninos, mas mulheres e homens. E na minha relação com os meus filhos parece-me que a grande diferença reside nas minhas preocupações relacionadas com cada género. 
Uma vez li uma coisa que resume essas preocupações bastante bem: 'Se tiveres um filho só tens de te preocupar com os actos de UMA pilinha. Se tiveres uma filha tens de te preocupar com os actos de TODAS as pilinhas no mundo'.




Kiki Jaques, Mãe de uma menina e de um menino.

Ser mãe de rapaz e mãe de rapariga são experiências totalmente diferentes! Só ainda não percebi se tem a ver com o sexo em si ou se tem a ver com o facto de serem duas pessoas diferentes com personalidades distintas. 
Não tive a experiência da menina pirosa que só quer bonecas. A minha filha nunca adorou brincar com bebés. Adora um bom tutu cor-de-rosa com brilhos dourados, mas usa-o para ir andar no skate e trepar às árvores. Confesso que adoro o seu lado de aventureira cintilante! Com blush na cara e as unhas pretas de terra. 
Ele, tanto está horas a brincar com os carrinhos, como é o primeiro a vir ajudar a fazer o jantar (adora cozinhar) e a pôr a mesa. 
 Afectivamente, ele é a minha perdição! Mas até isso tem a ver com a personalidade de ambos. Ela sempre foi muito independente. Empurrava-me quando lhe dava beijos, odiava abraços e nunca quis adormecer no meu colo. Hoje em dia já deixa! Mas rapidamente me põe no meu lugar é vai à sua vida. Já ele, sempre foi sedento de mimo! Demais até!!! (É uma melga!) Faz-me milhões de declarações de amor durante o dia, dá-me beijos a toda a hora e na hora de ir dormir é ele que pede mais abraços. 
Se calhar tem a ver com aquela mítica relação de filho rapaz com a mãe, embora eu ache que tem mais a ver com a sua personalidade. 
Se tivesse outro filho ou filha, tenho a certeza que seria uma 3ª pessoa totalmente diferente dos irmãos. E isso não tem a ver com o facto de ser rapaz ou rapariga. A verdade é que sempre quis ter só raparigas e hoje em dia acho que só podia estar louca. 
É tão bom ter um de cada!


Maria Joana Alcobia Botelho, Mãe de 3 raparigas - 22, 12 e 8 e de um rapaz, 8 anos.

A grande diferença que eu constato entre as meninas e os meninos é que os meninos são mais sensíveis emocionalmente. Ficam ofendidos e fragilizados com coisas que às meninas nem fazem cócegas! Se lhes levantamos a voz, ou se os praxamos com uma brincadeira ficam mais envergonhados e aflitos que elas. 
Sinto que o meu filho tem uma maneira muito mais inteligente de lidar comigo, demonstra uma maior sensibilidade que as irmãs, lê-me melhor, quando me sente nervosa e irritada vem dar-me festinhas e abracinhos para me ajudar a acalmar o que me derrete todinha!!



Isabel Baptista, Mãe do  Benjamim com 12 e da  Teresa com 15 anos.

Ele é assertivo, ela indecisa. 
Ele revolta-se, ela introverte-se. (Existe esta palavra?! É que gosto.) 
Em situações limite ele diz sempre o que pensa, ela diz o oposto! 
Ela adora ficar em casa, ele adora "vadiar". 
Ela adora dança, ele lutas de sabres
Ela é vegetariana e tenta não usar produtos testados em animais em há já um ano. Diz que não suporta saber que há animais a serem torturados e maltratados para nosso belo prazer! 
Ele é Carnívoro e não percebe como alguém consegue ser vegetariano! 
Para ele calçado ideal são chinelos de dedo, se pudesse usava-os o ano inteiro. Ela diz que é "foleiro", só em casa e para levar para a praia! 
Ele nunca veste calças de ganga, incomoda-o e começa a dar os primeiros sinais de vaidade, a próxima compra é um blusão preto à motard.
Até há um ano atrás ela vestia cores pastel e rosa, muito rosa, agora é mais preto e T-shirts dos Stones e dos Ramones, de preferência dois tamanhos acima do dela.
Ela adora ir a concertos com as amigas e junta dinheiro quase só para isso.
Ele é, quase desde a nascença, big fã de Star Wars (daí as lutas de sabres). 
Ela adora Audrey Hepburn, viu o Breakfast at Tiffany's vezes sem conta e conhece a banda sonora de cor e salteado. 
Em comum têm o gosto imenso por gelados, fast food com ketchup, maionese e mostarda, sempre e pizzas! Jogos de computador e telemóvel! (Temos que controlar o tempo que passam com os gadgets. Às vezes, confesso que fico mesmo irritada com esse facto)
Ambos adoram ouvir música, como não temos televisão, passa sempre muita música em casa! 
Nenhum deles gosta do próprio nome.
Querem ir viver para para a Califórnia e detestariam saber tudo isto publicado.
Estas são as características dos meus dois filhos, depois tenho obviamente que voltar à minha infância...
Sou a mais velha de quatro irmãos. Sou também a única rapariga!
Claro que, por ser mais velha, os meus pais me incumbiam de certas tarefas. Não posso é dizer, ao contrário do que acontecia noutras famílias, que houvesse uma regra rígida em relação a tarefas ou actividades feitas somente pelos rapazes ou pela rapariga lá de casa. Quem estivesse por perto fazia ou aprendia o que fosse necessário ou pedido pelo pai ou mãe! O meu pai também fazia todas as tarefas de casa. Cozinhava, lavava, passava... Eu tanto podia ir à pesca como tricotar ou aprender a mudar um pneu...
Com os meus filhos não penso muito nessa coisa do "rosa/azul"... Não nos preocupamos muito com isso. lêem os mesmos livros, os mesmos filmes, vestem as cores que gostam... Ela por opção já foi muito "Pink"... Agora já não.
Temos amigos e amigas gay que frequentam a casa com regularidade. Os miúdos também têm os seus amigos gay. Termos como "trans, gender fuid, straight", etc são utilizados com muita naturalidade cá em casa!
Claro que, uma ou outra vez, assistimos a pequenas cenas cá em casa - por parte de de algum adulto ou até criança de visita, do género... -"O Benjamim está a brincar com a cozinha da Teresa?! " em completo estado de choque..
As diferenças estão nos olhos de quem olha e julga, não no sexo de cada um.


Fotografias Joana Quintanilha
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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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