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Carlota Barnabe


Carlota Barnabe é uma marca portuguesa totalmente produzida em Portugal.
Nasceu em 2013, inicialmente com acessórios e apresentou a sua primeira colecção de roupas em Março de 2016, rapidamente chamou a atenção do mercado internacional ganhando uma excelente reputação pela sua qualidade e originalidade.
A marca combina eficácia e simplicidade, desenvolvendo uma personalidade forte, vincada pelas cores harmoniosamente seleccionadas e pelo tecido de musseline.   
Inspiradas pela simplicidade, criatividade e sentido de humor das crianças, Sónia e Inês criam e desenvolvem cada colecção com um rigor irrepreensível tanto nas peças como em toda a imagem da marca, surpreendendo-nos constantemente com o seu estilo intemporal.
É uma honra apresentar esta marca de que tanto gostamos.




Nheko: De onde vem o nome Carlota Barnabe?
Carlota Barnabe: O nome foi escolhido com a intenção de representar um nome de rapariga e outro de rapaz. Queríamos um nome que nos desse abertura para seguir diferentes rumos, um nome que se adaptasse a diferentes conceitos. A verdade é que quando criámos a marca em 2013, sabíamos que queríamos criar algo maior, mas estávamos numa fase de conhecimento, do mercado e de nós próprias relativamente uma à outra, conciliávamos gostos e conhecimentos e o conceito da nossa marca foi surgindo daí, não foi uma ideia pré concebida, foi acontecendo. O outro dos critério base para o nome da marca, foi que fosse único, que ao pesquisarmos no Google nada mais aparecesse. 


Nheko: Esta marca, que anteriormente não era de roupa, começou por ser uma brincadeira de amigas mas entretanto tornou-se um caso sério, o que é que provocou esta mudança de rumo? Carlota Barnabe: A marca começou como sendo de acessórios, basicamente fraldas, declinadas em 10 cores. Foi a paixão pelo tecido 100% musseline que nos fez “dar o salto” para o passo seguinte. Envolvemo-nos com o tecido de tal forma que pensámos em fazer peças de roupa com ele. Na altura, em 2013, não conhecíamos marcas que o fizessem, depois de pesquisar encontrámos algumas peças, mas nada como acontece hoje, em que até mesmo as marcas mais reconhecidas do mercado lançam peças em musseline.
A nossa parceria foi crescendo naturalmente, decidimos arriscar, acreditar no nosso trabalho e acreditar que era possível conseguir criar uma marca com características muito próprias que pudesse vingar num mercado tão competitivo. Começámos também a conhecer a industria têxtil do país e desenvolver um projecto com base no know how que aqui existe faz todo o sentido. Temos orgulho em produzir em Portugal e o nosso tecido também se diferencia dos restantes do mercado, porque é o verdadeiro tecido das antigas fraldas portuguesas e nós fazemos questão que assim se mantenha.



Nheko: O tecido musseline, as cores vibrantes, a harmonia entre as cores das colecções, o facto de a maioria das peças serem monocromáticas tudo isto são características que definem as vossas colecções e marca, como é que aqui chegaram? 
Carlota Barnabe: Como já referimos foi um caminho que se foi construindo. O tecido 100% musseline e a constante alteração de cores em cada colecção são sem dúvida e identidade da marca, achamos que são características fortes que nos identificam enquanto marca e as quais devem ser mantidas. Hoje em dia é muito importante ter uma imagem única que te diferencie dos demais, nós achamos que temos conseguido manter essa identidade e por isso em cada colecção as cores são pensadas de uma forma milimétrica, para não perdermos a nossa essência.
Adoramos trabalhar a cor e geralmente é a partir das cores que o conceito de cada colecção surge. Começar tudo de novo em cada colecção criando uma nova imagem partindo das cores escolhidas para essa temporada é sempre muito divertido, Começámos a introduzir nesta colecção SS17 o bicolor, por achar que seria algo interessante a explorar e quem sabe se mais tarde iremos introduzir padrões….a criatividade não tem limite e o que gostamos mesmo é de apresentar novidades em cada colecção, talvez porque ambas somos do signo gémeos e isso também se reflecte no nosso trabalho.


Nheko: Como acontece o vosso processo criativo; a escolha dos modelos, das cores, trabalham só as duas ou há mais criativos implicados no processo? Vocês complementam-se com funções distintas ou fazem ambas tudo o que há para fazer? 
Carlota Barnabe: As colecções são pensadas e discutidas de uma época para outra, todo o processo leva uns 6 meses a ser construído, falado e alterado, até finalmente ser definido ponto por ponto e voltarmos novamente ao início de uma nova colecção. Estamos sempre envolvidas no processo criativo, umas vezes mais activas outras menos….as ideias não caem do céu, são fruto de pesquisas das tendências, de lugares visitados, dos contactos com a produção e dos nossos gostos pessoais. Toda a parte criativa é realizada inteiramente por nós as duas, seria impossível delegar essa função a alguém e as colecções reflectem a fusão das nossas ideias e gostos que por sinal até são distintos. Conciliamos gostos, preferências de cada uma, cedemos, paramos e reflectimos com muito frequência, para conseguirmos resultados que agradem a ambas. A maioria das vezes a colecção surge a partir das cores, daí surge o conceito e styling da colecção. À parte do processo criativo que partilhamos, a parte burocráticas e as contas ficam a cargo da Sónia e a parte da comunicação da Inês, o que não quer dizer que não interfiramos na área uma da outra, o que acontece com frequência...


Nheko: A construção da personalidade da marca foi algo natural resultante do processo de evolução do vosso trabalho ou houve uma construção específica com base em estudos de mercado, de absorção de tendências, de adaptação a um mercado específico? 
Carlota Barnabe: Foi uma mistura de ambas, para conseguir marcar um lugar no mercado é essencial manter a personalidade e estilo, diferenciarmo-nos, mas também é fundamental acompanhar as tendências. Manter a identidade é uma grande preocupação nossa, pois acreditamos que só assim conseguiremos marcar presença no mercado, mas seguir as tendências também é fundamental, o que está na moda vende muito bem e uma marca precisa de vender para se manter viva. Nunca pensamos num mercado específico, mas antes num mercado que cada vez é mais global.



Nheko: O vosso mercado é claramente o internacional, isto foi uma opção ou uma consequência? Sempre tiveram a percepção que a vossa marca não encaixava nos padrões de consumo nacional ou foram percebendo isso e redireccionando o vosso trabalho cada vez mais para o exterior? 
Carlota Barnabe: Sempre tivemos noção que não somos uma marca muito ao gosto português. Depois o mercado nacional é muito fechado, pequeno, restrito ao mesmo estilo, tecidos e cores, não se enquadrando nada no nosso conceito. Achamos que os pais portugueses tal como os espanhóis, regra geral ainda são muito tradicionais no que toca a vestir os filhos (mesmo que eles sejam do mais moderno que há). Temos consciência de tudo isso e não vemos aí mal nenhum, não faz é sentido deixarmos de fazer o que gostamos para que “por cá” gostem de nós. Depois existe uma aceitação maior por parte de certos mercados, e vendo bem, não se tratará apenas de estilo mas também de poder de compra.


Nheko: Quem é o vosso público, quem usa Carlota Barnabe? 
Carlota Barnabe: Crianças descontraídas, praticas e ao mesmo tempo que seguem as tendências (as mães, claro está). Achamos que o nosso estilo se enquadra ali pelo meio, nem demasiado informal nem demasiado formal e por isso encontramos interesse por parte de públicos bastante distintos. Talvez isso seja um reflexo dos nossos gostos pessoais e do nosso trabalho criativo enquanto dupla.



Nheko: Tiveram uma aceitação grande em diferentes países do mundo, desde os Estados Unidos, ao Japão, França. Isto foi uma reacção espontânea ou definiram uma estratégia neste sentido? 
Carlota Barnabe: Foi acontecendo de uma forma natural, fluída, sem qualquer intenção. A nível de retalho, neste momento vendemos mais para os Estados Unidos, Coreia do Sul e médio oriente. Quanto às vendas online, os nosso maior volume de venda vai para França. O público francês recebeu-nos muito bem, desde a primeira colecção.

Nheko: A participação em feiras internacionais é sentido obrigatório para quem procura ter visibilidade além fronteiras, como tem corrido esta vossa experiência? 
Carlota Barnabe: Sim, as feiras são muito importantes para dar a conhecer as colecções, estabelecer novos contactos com clientes, imprensa e colegas. As feiras funcionam como uma montra, são o finalizar dum trabalho árduo que cada colecção envolve. Nós adoramos verdadeiramente ir a Paris duas vezes por ano, a Playtime Paris é o nosso Trade Show de eleição, o ambiente da feira é muito bom, temos conhecido pessoas excepcionais neste percurso, consideramos que é um elemento necessário para crescermos enquanto marca e nos envolvermos verdadeiramente no mercado.

Nheko: A vossa marca não participa nem nos mercados nacionais mais badalados, porquê? Carlota Barnabe: Não o fazemos pelo facto de o nosso público nacional ser muito reduzido, seria um grande investimento desnecessário. Já pagámos menos em feiras internacionais do que os valores que são pedidos nalguns mercados nacionais... Se entretanto o público português passar a interessar-se mais por nós, talvez mudemos de ideias.



Nheko: Quais têm sido as principais dificuldades e os obstáculos mais duros de derrubar neste vosso percurso como marca? 
Carlota Barnabe: O ter começado do zero, muitas vezes sem qualquer noção do que iria acontecer e de como as coisas funcionavam na área… mas sempre confiante de que tudo irá correr pelo melhor! Às vezes pensamos que somos um bocado inconscientes e que a ignorância em certas áreas têm sido uma boa aliada. Quando tens muito conhecimento de causa tens mais noção dos obstáculos, quando não tens, eles aparecem uns atrás dos outros e aí só tens de os resolver e passar ao seguinte... andar para a frente porque acreditas no teu projecto. Uma das maiores dificuldades da área são os preços da publicidade, demasiado elevados para marcas pequenas como nós. Lidar com a produção, também tem que se lhe diga! Ter os parceiros certos é fundamental.


Nheko: O que é que mais vos apaixona neste trabalho? 
Carlota Barnabe: Definitivamente toda a parte criativa que envolve cada colecção, desde a concepção da colecção à criação de imagem da mesma.

Nheko: Quais os projectos e objectivos para um futuro próximo? 
Carlota Barnabe: Explorar ao máximo o tecido 100 % musseline e todas as suas possibilidades, introduzir novos tecidos, realizar parcerias e claro, alargar o leque de cliente, nomeadamente os mercados da Ásia, Médio Oriente e Estados Unidos. Continuar a acreditar!

Fotografias Nuno Fontinha / Produção Nheko

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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