/ 12.2.17 / 4 Comments / , , , , , , ,

Ana Morais no seu Casulo


Foi durante a licença de parto da filha que encontrou o espaço e o tempo necessários para criar o projecto Casulo, Ana Morais, autora do blogue Tapas na Língua, é uma mulher que se entrega ao que faz com amor, rigor e pormenor transformando o quotidiano num desenrolar de imagens bonitas cheias de sentido e conteúdo.
Ana tirou o curso de jornalismo mas desde cedo sentiu que era na arte e na criação que encontrava a sua realização.
Mãe de Ema com 3 anos, Ana Morais vive um dia de cada vez, saboreando cada detalhe que a vida lhe oferece. Recebeu-nos na sua bonita e luminosa casa onde também trabalha num estúdio feito à sua medida e onde nenhum pormenor foi descurado.




Nheko: Nasceste em Aveiro, tiraste o curso de jornalismo na Covilhã, um mestrado em Coimbra, trabalhaste na televisão e na rádio em Lisboa, mudaste para o Porto e voltaste a Aveiro... mas foi a licença de maternidade que te fez parar e criar o teu CASULO, este é um caminho sem volta?
Ana: É, este é o meu caminho sem dúvida. Eu no liceu queria ir para artes mas os meus pais não gostaram muito da ideia, um clássico. Eu espero não repetir isto com a minha filha, estas pressões alteram-nos a rota e no meu caso poderia ter sido tudo muito diferente. Eu sempre gostei muito da área da comunicação, especialmente de rádio e ainda hoje gosto e faço trabalhos de locução mas desde sempre adorei design e decoração e esse amor voltou quando fui mãe, durante a licença de maternidade.


Nheko: Durante a licença de maternidade... mas a tua filha dormia assim tanto?
Ana: Dormia sim, nos primeiros tempos ela dormia imenso e como eu nunca consegui dormir de dia, se tivesse a casa em ordem eu ficava com imenso tempo. Na altura tinha o blogue, O Tapas na Língua, mas para o manter vivo e interessante eu tinha de sair, de ir ver e viver sítios e coisas novas e não era altura para isso acontecer então segui outro caminho e criei o Casulo.

Nheko: Sentes que este projecto aconteceu nessa altura por uma questão de disponibilidade ou porque está intimamente ligado com a experiência da maternidade?
Ana: A maternidade traz-te de volta ao ninho, a casa e isso fez-me ter uma relação e ligação especial com o espaço, daí a criar peças que valorizem o ninho foi um percurso natural, uma consequência directa do que eu estava a viver.



Nheko: E seguiste algum modelo, o Casulo foi um negócio de fácil implementação? 
Ana: Eu via muitos trabalhos que gostava em projectos estrangeiros e percebi que cá não havia nada semelhante, aproveitei este espaço no mercado para me lançar. No entanto demorei algum tempo a posicionar-me de forma correcta no que respeita ao real valor do trabalho que fazia, a principio praticava uns preços ridículos e tive de ter a ajuda do meu pai para perceber efectivamente os custos, o investimento e o real valor do trabalho criativo, fazer contas a isto tudo não foi fácil nem instintivo para mim. Acabei por ter mais procura no mercado estrangeiro, é onde há mais poder de compra mas é também onde encontro mais gente já sensibilizada ao real valor do trabalho e das suas características próprias, o ser feito à mão, serem peças únicas e originais, haver todo um trabalho de autor criativo e conceptual. Em Portugal também já existe esta noção mas como somos poucos isso reflecte-se em termos de mercado.




Nheko: A tua forma de trabalhar alterou-se desde que foste mãe?
Ana: Mudou o meu posicionamento. Eu nunca tinha sido a patroa, trabalhava para outros não tinha a responsabilidade do todo, quando estão outros ao comando é muito diferente. Desde o momento em que criei o Casulo passei a abranger todas as responsabilidades e claro que tudo mudou. Passei a viver com muito mais peso mas também com muito mais prazer, agora eu vivo sempre com o meu trabalho, eu durmo e sonho com ele. O Casulo é um segundo filho, também me acorda de madrugada!

Nheko: Quais têm sido as maiores dificuldades com que te tens deparado nestes 2 anos?
Ana: Talvez a incerteza e os imprevistos com que tenho de lidar diariamente e que não consigo controlar. Está tudo composto como um puzzle, se falha uma coisa afecta tudo e isso ressente-se em diversas frentes. Uma das minhas grandes preocupações prende-se com os prazos de entrega das peças, tenho sempre imenso medo de falhar, trabalho dia e noite e fins de semana se for preciso para que isso não aconteça. Depende tudo de mim.


Nheko: E como é que equilibras a tua vida profissional e familiar?
Ana: Eu tenho despertador para acabar de trabalhar! Tive de criar este tipo de mecanismos, para acordar e não me perder, afinal a família é o mais importante e não me posso nunca esquecer disso, quando o trabalho nos envolve e apaixona tanto há esse risco e é importante manter o equilíbrio e a clareza. Trabalhar assim é apaixonante, num trabalho normal não é preciso despertador para parar.
Além disto eu sou muito madrugadora e não gosto de trabalhar à noite o que facilita e me permite naturalmente manter os tempos de cada coisa com o tão desejado equilibro.


Nheko: Como é que tu imaginavas a tua vida em família?
Ana: Teoricamente queria ter três filhos, mas agora quando penso em avançar para a segunda viagem tenho muitas reticências, pelo menos para já. Quando se arrisca um projecto nosso temos de tomar opções e neste momento é necessário tornar tudo mais coeso antes de avançar para o passo seguinte.


Nheko: Sempre foste atenta ao pormenor e focada? São características que te reconhecem desde sempre ou adquiriste-as ao longo do teu crescimento?
Ana: Eu tenho um lado muito aluado, ou tinha. Combati fortemente essa faceta, hoje sou muito organizada, eu tenho uma agenda onde escrevo tudo, aponto lá tudo, mesmo ao fim de semana escrevo lá tudo o que quero fazer, esta é a minha forma de contrariar a dispersão, hoje eu já nem sei viver de outra forma, às vezes até sinto que não tenho mais espaço para o improviso.



Nheko: E como olhas para o teu futuro?
Ana: Quero muito que o trabalho me continue a desafiar e a surpreender, sentir que estou a aprender sempre mais e sentir-me realizada, isto é uma coisa comigo mesma e não com os outros.
Nas colecções que crio eu tento sempre equilibrar o que se adapta mais ao mercado, à procura e o que me realiza em termos criativos e artísticos, este é um equilíbrio que eu necessito.
Também preciso de estar sempre atenta ao que se passa no mundo e beber inspiração em diferentes formas artísticas que não tenham a ver directamente com o meu trabalho, são formas de ir alimentando o meu lado criativo, neste trabalho há muito de cada autor, há todo um lado conceptual que me apaixona e desafia.

Fotografias Pau Storch

Podem seguir o trabalho da Ana Morais através do seu facebook e instagram.
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4 comentários:

  1. Gosto tanto do trabalho da Ana! Tenho uma peça linda! 💛Adorei a entrevista e o despertar da Vida para o que realmente gostamos e para o nosso rumo! E as fotos estão maravilhosas... como sempre, Pau! 😊

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  2. Gostei muito de poder conhecer um pouco mais sobre a Ana e se já gostava passei a gostar mais, super talentosa e bonita ☺️

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  3. Amei a entrevista. Parabéns para Ana que tanto nos inspira e também para o blog. Beijos do Brasil ♥️

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  4. Parabéns!!! A Ana é uma inspiração para mim...

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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