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Tratar os outros como gostamos de ser tratados


"Tratar os outros como gostamos de ser tratados"
Há máximas que, numa primeira leitura, não apresentam contestação nem provocam grande polémica e esta até podia se uma delas mas, se olharmos com mais atenção e a transpusermos para a vida de todos os dias, aí surgem algumas dificuldades especialmente quando os outros são os nossos filhos.
Tratar os nossos filhos como gostamos de ser tratados é realmente uma carga de trabalhos e um compromisso tramado de assumir. 
No que toca à educação, há muitos modelos e opções mas, uma coisa é certa, seja qual for a escolha esta vai ter consequências e é bom que estejamos conscientes.


Na nossa casa, desde muito cedo que nos questionamos sobre qual a melhor forma de conseguir construir uma relação com os nossos filhos que assente nos valores que mais prezamos.
Tentamos pôr em prática dentro de casa o que apregoamos fora dela, sempre soubemos que esta opção nos ia levar por caminhos bem acidentados, longos, com túneis sem luz ao fundo e sem sequer saber onde íamos chegar. 
Resolvemos aceitar as nossas fragilidades e este desafio de viver sem ter onde nos esconder.
Partilhamos com os nossos filhos a responsabilidade pelas opções que os envolvem directamente, fazemos com que se sintam parte, tentamos construir um caminho conjunto que nos faça sentido e onde encontremos as nossas máximas de vida: Liberdade, Responsabilidade e Autonomia.
Em nossa casa há poucas verdades absolutas, não há proibições quadradas nem nãos redondos mas há regras, compromissos, deveres e direitos e um dos que mais prezamos é o direito a ser ouvido e a ter opinião.



A responsabilidade das decisões é assumida pelos principais interessados na situação em causa, por exemplo: cada uma das meninas, agora adolescente, é que decide a que festas deve ir, quanto tempo dedica ao estudo e a que horas deve voltar para casa; mas nós gastamos muitas horas a conversar sobre estes assuntos e sobre cada situação, antes de tomada a decisão pelo próprio, nós - os adultos|pais, damos a nossa opinião e expomos os nossos argumentos, explicamos porque é que achamos que a opção A é melhor que a B e muitas vezes até ajudamos a criar uma opção C. Contrariamente ao que muitos possam pensar, o que normalmente acontece é que a nossa opinião é muito levada em conta e tem grande peso na decisão final. Mas também acontece decidirem por algo que nós não achamos tão bem e depois, cabe-nos a nós, conseguir aceitar essa decisão, respeitar e assumir o compromisso que temos com esta nossa opção. 
Há que saber deixar cair e ajudar a limpar as feridas sem recorrer ao moralismo fácil nem à liçãozinha da consequência prevista, conversamos como com qualquer outra pessoa que amamos e que está dorida por uma má opção que fez, e tratamos assim o outro, como gostamos de ser tratados.

É interessante sentir que quando o adulto não é visto como uma autoridade penalizadora e repressiva se torna rapidamente num aliado no processo de crescimento e isso é mais proveitoso para todos, mais construtivo, pelo menos é o que temos vivido nestes primeiros anos de filhas crescidas.
Uma coisa importante de referir é que esta forma de estar não se consegue instituir de um dia para o outro, os nossos filhos estão habituados desde pequenos a este tipo de actuação da nossa parte e isso permite-lhes um conhecimento verdadeiro das regras do jogo, nós optámos por tratar os nossos filhos como gente grande, permitindo que a liberdade se vá adaptando à sua capacidade para ser responsável e, segundo a mais velha, isto não é tão bom e fácil como pode parecer, é que ser responsável e livre não é, de todos, o caminho mais fácil.


As nossas três raparigas são muito diferentes entre si e nem sempre conseguimos que esta forma de estar seja vivida por todas da mesma forma, estamos constantemente a adaptar, a avaliar, a tentar melhorar e este é também um processo conjunto, feito com todos.
O mini rapaz assiste e vai usufruindo de uma actuação serena e já experimentada, se bem que já sentimos que com ele é tudo muito diferente, provavelmente por estar isolado do pelotão feminino que lidera esta corrida e que, por vezes, nos vemos gregos por acompanhar.

Esta é a forma como vivemos esta aventura da paternidade, não achamos que seja um modelo que se adapte a toda a gente nem temos a intenção de o vender a ninguém, cada um deve encontrar uma forma de viver com os seus filhos que lhe traga paz e tranquilidade, que seja uma caminhada consciente e onde se encontre na sua forma própria de olhar o mundo; esta é a nossa.
Há quem nos considere loucos, há quem nos chame corajosos; nós apenas tentamos fazer as coisas da maneira que acreditamos ser a melhor, e de acordo com os nossos princípios de vida, e um deles é: Tratar os outros como gostamos de ser tratados, e quanto a isto está tudo de acordo, não?

Fotografias Vitorino Coragem
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3 comentários:

  1. Pois é... Educar é duro... Principalmente quando ainda andamos a aprender a ser adultos...mas é seguramente o trabalho mais sério e mais importante que temos na nossa vida e também, claramente, o mais compensador!

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  2. Pergunta:

    Não havendo regras, como estabelece limites . Ou não há limites ? Reformulando : aceita qualquer comportamento independentemente da idade ?

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    Respostas
    1. Olá, cá em casa há regras e todos fazemos por as cumprir, os grandes e os pequenos!

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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