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Cherrypapaya


Sandra Barradas é a mãe da Cherrypapaya, é também mãe da Sofia que tem 5 anos e da Simone a caminho dos 2. 
Sandra vive há mais de 20 anos no Porto e foi a norte que pegou na sua experiência na industria têxtil e na vontade de criar roupa divertida e de qualidade para vestir à primeira filha e meteu as mãos na massa, criando uma das marcas portuguesas com maior reconhecimento no panorama nacional e internacional, seja pelas peças giras que as crianças adoram, seja pela qualidade de excelência que deixa as mães completamente rendidas.


Nheko: Como era a tua vida antes da Cherrypapaya?
Sandra: Já nem me lembro bem... eu estive um ano dedicada à minha filha Sofia e foi nessa altura que tudo aconteceu. Trabalhei muitos anos na indústria têxtil depois decidi que queria ser mãe e a história é a mesma que muitas outras mãe: comecei a procurar roupa para a minha filha, a comprar marcas estrangeiras e a constatar que a qualidade nem sempre era a desejada. Nessa altura comecei a pensar que eu era capaz de conseguir fazer coisas giras com materiais portugueses e assim nasceu a marca.
A principio eram praticamente só as t-shirts, a ideia era criar peças divertidas que os miúdos gostassem de vestir. A minha filha Sofia por volta dos 2 anos passou por uma fase de birras em que só queria vestir roupa com a qual tivesse algum tipo de ligação, que gostasse mesmo, e eu percebi que realmente a roupa de criança não era tão divertida como eles mereciam e tentei dar este cunho à Cherrypapaya. Acho mesmo que consegui porque recebo muitos feedbacks de mães a dizer que os filhos adoram as nossas roupas e que as escolhem sempre para vestir, fico muito contente com isso.



Nheko: De onde surgiu o nome Cherrypapaya?
Sandra: Eu tenho/tive um blogue em conjunto com a minha irmã o Manga e Papaia, e foi daí que nasceu o nome. Este blogue, para o qual eu entretanto deixei de ter tempo, foi também o suporte que precisei no início, deu-me uma rede de apoio que numa fase inicial foi fundamental para receber e impulsionar a marca.




Nheko: Quanto tempo tem a Cherrypapaya?
Sandra: Tem cerca de dois anos e é incrível o que já conseguimos em tão pouco tempo. Quando eu digo "nós" refiro-me à marca: a minha irmã faz os desenhos, tenho designers a trabalhar comigo e considero as fábricas com que trabalho como parceiros fundamentais, somos todos que fazemos a marca.


Nheko: Cada colecção tem uma história, uma narrativa que liga todas as peças e cria uma imagem consistente, és tu a responsável por este fio condutor?
Sandra: Sim sou eu que o cria mas tudo surge da Sofia e agora também da Simone. Nas brincadeiras, no dia-a-dia surgem tantas ideias, eu já tenho tema para as próximas duas ou três colecções, há tanto material, tantas ideias e vontade de fazer coisas.
Acho maravilhoso este percurso, desde o ter a ideia a fazer as coisas acontecerem, materializar as ideias e concretizar. é maravilhoso e super gratificante.


Nheko: Uma das características da marca é a qualidade dos materiais, é uma premissa para ti?
Sandra: Eu sempre trabalhei com marcas muito exigentes na indústria têxtil, a Nike foi sem dúvida uma marca com a qual muito aprendi porque eram muito exigentes e rigorosos, eu sei como fazer bem as coisas, sei a diferença entre o bom e o razoável e não consigo conceber a minha marca de outra forma, tem de ser o melhor. As nossas roupas passam do filho mais velho para o mais novo e estão impecáveis, sei disso por experiência própria e pelo feedback que recebo das clientes. Numa época em que é tudo tão descartável é importante contrariar essa tendência e ter este carácter de qualidade que se traduz numa grande durabilidade das peças. Nunca vou abrir mão desta característica da marca, a qualidade dos materiais é uma referência. Na nossa primeira colecção desenvolvi um algodão para a marca mas que não era orgânico e pensei que tinha de conseguir essa alteração logo na colecção seguinte pois fazia todo o sentido e porque o processo é este, tento sempre melhorar e que haja um crescimento da marca em cada nova colecção.



Nheko: O crescimento da Cherrypapaya foi bastante rápido, em apenas dois anos já conseguiram atingir um bom patamar de reconhecimento seja a nível nacional como internacional, houve desde o início uma estratégia delineada neste sentido?
Sandra: Não, nada! Só mesmo a vontade de fazer as coisas da melhor forma que sei e consigo. Até agora eu tenho trabalhado sempre com timings que não são os da indústria e isso até tem sido prejudicial. O lançamento da marca coincidiu com a minha segunda gravidez o que não foi propriamente a situação ideal, de repente eu estava com a marca a ser publicada em blogues em todo o lado, na Polónia, na Alemanha, nos Estados Unidos... um blogue muito conhecido o Paul&Paula fez referência à marca e dispararam as visualizações em todo o lado, é incrível a velocidade e o alcance que estas coisas têm. Recebemos logo imensas propostas para vender em lojas lá fora e durante as duas primeiras colecções conseguimos colocar atempadamente a marca nas lojas, depois com o nascimento da Simone eu tive de abrandar o ritmo, esses timings são difíceis de cumprir. Agora conseguimos finalmente recuperar e acertar não só com as lojas como também com a apresentação da colecção em feiras, este ano apresentámos no Mini Me Fashion Week e agora vamos estar, pela primeira vez, numa feira internacional, vai ser em Agosto a CIFF KIDS em Copenhaga onde vamos apresentar a colecção Primavera Verão 2017.


Nheko: No panorama Nacional os mercados são grandes oportunidades de venda para marcas como a Cherrypapaya, sentes que o público português precisa desse contacto directo com as marcas ou que já tem uma relação estável com a venda online?
Sandra: As pessoas cá ainda têm algum receio em comprar online, o que acontece mais é que o público que tem um primeiro contacto connosco num mercado torna-se depois comprador online, fica a conhecer a marca, a qualidade, os tamanhos. O aparecimento da Cherrypapaya coincidiu também com o aparecimento destes mercados que são realmente importantes para marcas que não têm uma loja fixa.



Nheko: Nestes dois anos quais têm sido as maiores dificuldades com que te tens deparado?
Sandra: A maior foi acertar os timings com a indústria e conseguir trabalhar com tanta antecedência, a Cherrypapaya é um negócio pequeno.
Eu gostava de poder dedicar-me mais à parte criativa e conceptual que é muito importante para a marca mas isso exigia aumentar a equipa, para já tenho de me dedicar muito ao trabalho burocrático que me rouba muito tempo.



Nheko: Nestes projectos tão "nossos" onde tudo nos "sai do pêlo" há uma linha muito ténue que separa a vida pessoal e famíliar do trabalho, como é que fazes esta difícil conciliação?
Sandra: Bem, eu só tenho duas filhas e não quatro... ainda assim é uma ginástica, não tenho fins de semana sem trabalho, acabo sempre por trabalhar, umas vezes mais outras menos, mas não há dia em que não trabalhe, por outro lado posso ir levar as minhas filhas à escola se quiser às 10 horas e ir buscá-las cedo, esta autonomia vale muito. Eu sempre trabalhei muitas horas e tinha de viajar muito, não tinha autonomia nenhuma por isso sinto que esta situação que vivo actualmente é um privilégio e isso equilibra o facto de eu ter a Cherrypapaya na cabeça 24 sobre 24 horas, para mim compensa muito viver assim.


Nheko: A Cherrypapaya faz parte da tua vida em família que faz definitivamente parte da Cherrypapaya, certo?
Sandra: Completamente! Eu adoro vestir as minhas filhas com a marca, sinto-me tão feliz! Olho para elas e tudo faz sentido, afinal foi para elas que criei a marca. A Sofia vai para a escola e tem de ir prática, aos fins de semana passeamos nos parques da cidade ou vamos visitar museus e há sempre este lado prático mas ao mesmo tempo original que a deixa, na minha opinião, absolutamente maravilhosa.


Nheko: Achas que vais sentir vontade de alargar a faixa etária do público alvo da marca quando as tuas filhas crescerem?
Sandra: Sim sim, eu até já tenho isso com as modelo da marca, há uma menina que começou connosco com 6 anos e agora tem 8, esta estação já alarguei até ao 10/11 anos porque não queria "perdê-la" e penso muitas vezes que essa é a tendência.
Também comecei a fazer as t-shirts para as mães e gosto imenso, eu faço aquilo que gosto de vestir, este Verão eu acho até que não vesti mais nada além das t-shirs e as camisas da Cherrypapaya, identifico-me totalmente com a marca e adoro vestir o que faço. A marca vai crescer connosco e a idade da Sofia vai influenciar certamente.


Nheko: São esses os planos para o futuro?
Sandra: Como já referi eu gostava de aumentar a equipa, quero muito continuar a mostrar as colecções lá fora e levar a marca cada vez mais para o mercado estrangeiro, difundir a marca é o plano imediato.
Ter uma loja própria é também um sonho mas não me parece que seja viável nos próximos anos. À medida que as colecções vão surgindo faz-me sentido ter um local onde as consiga mostrar na totalidade, gostava de ter um espaço onde o conceito da colecção pudesse ser totalmente vivido, onde o cliente conseguisse perceber a coerência da marca, numa colecção as peças ligam todas umas com as outras e isso só é perceptível com toda a colecção exposta. Adorava ter um espaço que contasse a história da colecção, um espaço onde as pessoas entrassem como quem entra num livro.

Fotografias Maria Noronha

Podem ver tudo e seguir atentamente a Cherrypapaya na loja, no facebook, no pintrest ou no instagram.
Cherrypapaya Kids, feito com amor para crianças felizes.
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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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