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Bruno Cantanhede AKA Kid Richards

KID é Bruno Cantanhede, Kid Richards.
Fotógrafo e músico vive estas duas paixões com a mesma vontade de lhes manter a essência, um purista que procura no registo analógico a verdade do som do rock dos anos 60.
Culpa o seu espírito frenético e uma curiosidade indomável pela forma como se interessa pelas coisas e cresce nestas duas áreas que não só se cruzam como se amam.


Kid Richards ganha esta alcunha por ser o mais novo da sua banda e pela admiração pelos Rolling Stones, aos 16 anos já integrava os Born a Lion banda de Leiria que obteve reconhecimento internacional logo no primeiro disco. 
Mais tarde KID abandona o curso de arquitectura já no quarto ano, para se dedicar de corpo e alma à fotografia analógica sem nunca deixar a música.
Aos 28 anos KID fotografa para a Playboy, colabora com vários projectos editoriais tanto no panorama nacional como internacional e ambiciona fazer sempre o que lhe dá prazer preferencialmente onde a imagem se encontra com o som, puro e duro.


"A minha raiz musical vem dos anos 60/70, gosto de ir a fundo, ao cerne da questão. É mais fácil ligar a guitarra a um computador e sacar o som que procuro mas eu prefiro arranjar um amplificador dos anos 60 e ligá-lo à minha guitarra, é mais orgânico.
Com a fotografia acaba por ser mais ou menos a mesma coisa e dá-me um prazer imenso fazer desta forma e poder viver disto assim."
O analógico é um registo mais arriscado, cá em Portugal ainda há um certo receio, coisa que não sinto tanto quando trabalho para fora mas eu gosto muito deste lado arriscado do processo"

"Nunca fotografo como meu IPhone por exemplo, sou muito chato e até radical, é uma questão de princípio.
Quando andava na faculdade assisti a uma conferência onde falou um fotógrafo de arquitectura, mostrou-nos uma fotografia incrível e explicou que aquela imagem tinha sido conseguida com uma série de planos captados em diferentes horas do dia com diferentes tipos de luz, era a combinação perfeita de vários ângulos e tinha sido trabalhada no sentido de criar um ambiente incrível quase mágico mas que não existia verdadeiramente, era irreal. Na altura fiquei indignado com aquilo, senti-me enganado com este tipo de manipulação que é feita sob determinados propósitos e a servir objectivos específicos. Impressiona-me que haja tanta manipulação mesmo no foto jornalismo, há prémios atribuídos a fotografias que na realidade são montagens ou manipulações da realidade. Não me revejo nisto.
Quando penso na música e nos músicos que gravaram em takes directos para fita sem possibilidade de acertos posteriores eu sinto uma admiração enorme pelo seu trabalho, eles tinham de facto de ser muito bons, não havia o corte e cola que há hoje."


"Eu coloquei a mim mesmo um desafio, tinha de conseguir uma fotografia que, se a encontrasse num livro ou num Tumblr eu considerasse brutal.
No início foi complicado, eu não tinha trabalho para mostrar às miúdas que convidava e comecei por fazer uns testes com amigas no meu quarto que ainda hoje é o sítio onde mais fotografo.
Percebi que ao fotografar modelos acabas por ter mais visibilidade de repente, pois toda a gente quer ver tanto elas como eles. Mas este trabalho com as modelo é uma coisa complexa porque mexe com sentimentos, com o ego, a auto-estima. Eu tento sempre conhecer a pessoa antes, trocar referências, perceber quem tenho ali. A fronteira entre conseguires um bom trabalho ou uma coisa banal depende desta relação, da comunicação com a pessoa, deste entendimento, para mim é fundamental que a modelo esteja confortável."
"Tenho um trabalho de registo, de diário que não é tão conhecido, lancei por uma editora independente de Leiria duas publicações e fiz uma exposição só com retratos de malta ligada à música, só homens.
Eu gostava que olhassem para o meu trabalho como um todo, onde tanto encontram um editorial de moda como uma capa de um disco ou uma sessão para a Playboy, não gosto que me metam em saco nenhum, não me agradam rótulos sejam eles quais forem.
Em Setembro vou lançar um livro pela Chiado Editora, um diário com mais de 300 páginas, um livro muito especial e pessoal que remete para as minhas vivências e vem acompanhado com imensos créditos e referências, livros, quadros, locais. É um diário de viagem com uma narrativa implícita muito pessoal: Let's Get Lost Here."


"Hoje há uma facilidade enorme no acesso à informação, desde que sejas curioso tu podes aprender tudo o que quiseres. Houve uma altura em que comecei a fazer experiências e a perceber como é que o scanning de rolo funcionava, fiz uma tentativas e comecei a digitalizar em casa, fiz a primeira série e foi aí que começaram a falar de mim, parece que ainda ninguém tinha feito assim como eu fiz, eu não inventei nada apenas arranjei uma forma própria de fazer uma coisa, essa identidade é uma coisa muito importante.
Sinto também que o meu trabalho teve mais visibilidade desde o momento em que fiz um set para o site Nextdoor Model em Itália, estas experiências fora são muito valorizadas, é como se passasses a ter uma atestado de competência e qualidade, na música é igual."


"Faço sempre um paralelismo entre a música e a fotografia, em qualquer uma das áreas tens de trabalhar muito, ser muito intuitivo e ter uma amor superior pelo que fazes, é isso que te distingue. O saber específico e a técnica obviamente que ajudam e são importantes mas não são o que fazem de ti um bom fotógrafo ou um bom músico. Seres curioso e não te dares nunca como satisfeito, esgravatar constantemente à procura de novas coisas, querer saber e fazer mais.
Eu estou sempre a ler e a ver coisas, leio os manuais todos das máquinas e o que se publica sobre elas, é uma forma de estar que tenho e isso faz de mim o que sou.
De momento tenho três livros para serem lançados, tenho sempre tanta coisa em mãos, estou sempre a produzir.
Tenho 28 anos e tenho muita pressa, em parte pensei que o analógico me ia acalmar este espírito tão irrequieto que tenho, podia ser quase terapêutico mas o que aconteceu foi que eu oleei tão bem a máquina que consigo ter um ritmo de produção competitivo com o digital, eu tenho as fotografias prontas no dia em que as tiro, sou tão curioso que tenho de ter acesso ao resultado rapidamente.


"A minha família teve sempre um peso grande no que sou, eu não frequentei a pré primária e ficava com a minha avó que estimulou em mim alguma sensibilidade para a arte, foi uma grande influência. Os meus pais foram e são fundamentais para eu conseguir fazer a vida que quero e viver do que gosto, sempre me apoiaram e sempre pude contar com eles. Comecei a tocar muito cedo, tinha 16 anos e era menor, os meus companheiros de banda eram todos mais velhos e batidos com outro andamento, foi muito importante o apoio que o meu pai me deu, ele andava connosco na estrada como o manager também andava, fomos tocar ao Brasil e estivemos lá mais de duas semanas, toquei com os Sepultura entre outros e nem tinha noção, eu toquei para trinta mil pessoas num festival e não percebia bem a dimensão da coisa. Os meus pais sempre me deram o suporte que eu precisei para ir à procura do que queria fazer, claro que ficaram tristes quando desisti da arquitectura no quarto ano mas nem aí me pressionaram, tenho uma sorte incrível na família que tenho."

"Partilho a casa com um grande amigo que é artista plástico, a cozinha agora está cheia de cimento e nem a usamos, nesta casa não tenho propriamente muito conforto mas há uma liberdade total e não troco isso por nada, há semanas em que tenho de comer menos por causa dos livros e das revistas que compro, gosto da Vogue Italiana, Francesa, Japonesa e também compro a Portuguesa para perceber o que se está a fazer por cá, gosto da Lui, uma revista Francesa com modelos despidos mas com muita classe e bom gosto, compro a Self Service, a Pop, a Love, a Revs, a Playboy Americana."


"Tive o convite de uma agência de Milão para trabalhar com eles, eu adoro Milão, sou apaixonado por aquele sítio, vivia lá facilmente. mas também tenho vindo a adiar uma viagem aos Estados Unidos e sei que preciso de a fazer, sinto que há coisas que me estão a passar ao lado e que preciso de agarrar. Tenho sempre esta sensação de ainda ter muito para viver."

Fotografias KID

Esta publicação foi proposta pela Rita que admira muito o trabalho do Kid.
Podem segui-lo através do seu instagram.
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