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Adolescência a quanto obrigas


Quando somos mães de bebés sentimos quase as mesmas dificuldades que eles, é como se também nascêssemos outra vez e tivéssemos de reaprender tudo de novo.
Quando somos mães de adolescentes, há também um género de colagem ao seu comportamento, temos crises existenciais, há dias em que queremos desistir, enfiar a cabeça na areia, entrar numa auto-caravana e deixar tudo para trás... somos mães-adolescentes mas carregamos em nós o peso da responsabilidade de sermos adultas e de sermos mães.

Eu fui uma mãe-bebé cheia de certezas e sou uma mãe-adolescente cheia de dúvidas. 
Eu achava que tinha muito para ensinar e agora penso que tenho quase tudo para aprender.
Com três adolescentes em casa sinto-me muitas vezes como um saco de boxe onde todas descarregam as angústias e a raiva, acho que me olham como um poço dos desejos onde depositam as esperanças de ver as suas vontades concretizadas, que me acham firme como uma rocha capaz de suportar todos os embates sem vacilar, imaginam-me como uma Shiva com quatro braços ou um qualquer super herói capaz de estar em qualquer lado em menos de 1 minuto.
Também sei que na verdade me reconhecem como frágil, limitada e cansada, descontrolada e desorientada, atrapalhada e desorganizada e tão normal como só uma mãe sabe ser.




Vivo numa constante procura de melhorar a minha capacidade de comunicar com os outros, especialmente com a minha família e em particular com as minhas filhas adolescentes. Nesta fase é quando acontecem mais rupturas e problemas no entendimento entre as pessoas, entre os pais e filhos - entre as mães e as filhas.
Tento ser muito intuitiva e seguir o que o coração dita mas avalio cada decisão, reflicto e reformulo cada passo que dou, questiono-me diariamente se este é o caminho certo e questiono o mundo sobre o que é o caminho certo.
Aqui em casa, a nossa forma de estar e de agir com os nossos filhos é muito semelhante com a forma como nos relacionamos com as outras pessoas, foi neste modelo que encontrámos sentido, tratamos os nossos filhos com respeito, de forma integra, promovendo a responsabilidade e a liberdade.
Optámos por este modelo de educação que assenta em alguns princípios que fomos encontrando e com os quais nos identificamos, consideramos a nossa formula a melhor para nós e acreditamos que não há receitas nem verdades absolutas no que respeita à educação dos filhos a não ser mesmo o amor.
Nos nossos dias há muito espaço para cada um poder dizer o que sente, para a discórdia e a discussão, procuramos respeitar a individualidade de cada um e promover a liberdade responsável. Tentamos estar o mais presente possível, seja para ajudar a decidir as partidas como para aguardar os regressos.


Sinto muitas vezes que qualquer uma das minhas filhas já tem grande parte da sua bagagem cheia; ao longo dos anos foi seleccionando o que queria que fizesse parte de si e foi-se também habituando a certas coisas que lhe iam aparecendo na mala de forma alheia à sua própria vontade.
Considero que continuamos a ter um papel importante mas neste momento parece-me fundamental que as ajudemos a dar bom uso ao conteúdo de cada bagagem, a olhar com atenção para o que se tornaram e viver o melhor possível com o que são. 
Sinto que a nossa actuação como pais funciona agora como que uma voz guia que sugere e pauta certas situações, alguém que lhes devolve a responsabilidade das suas decisões e que as ajuda na clarificação dos argumentos. Somos orientadores e criamos limites que procuramos que façam sentido a todos, o nosso papel de pais é o de líderes da equipa e como em qualquer trabalho de grupo todos devemos conhecer e concordar com as regras e as metas a atingir para que tudo resulte.

Viver desta forma com três adolescentes é, provavelmente, optar pelo caminho mais acidentado e mais desgastante mas acreditamos que este é também o que nos leva a um sítio mais bonito, esperamos estar a contribuir para a formação de pessoas adultas, responsáveis e livres, sensatas e com a capacidade de fazer as suas próprias opções mesmo sabendo que nem sempre serão as mais acertadas e que o erro faz parte da vida.

 Fotografias Vitorino Coragem

No ano passado vivi de uma forma bastante intensa esta nossa nova condição de mãe de filhas adolescentes, e não foi nada fácil perceber quais os limites e a nossa capacidade de dar e receber, na altura conheci a Mia e o seu livro Educar com Mindfulness, não o sigo como um guia nem tenho nenhum modelo com o qual me identifique na integra mas, na Parentalidade Consciente encontro uma linha de pensamento que me ajuda diariamente a ser melhor comigo e consequentemente melhor com os que me rodeiam, nomeadamente os meus filhos.

Na próxima quinta feira dia 7 de Julho, às 22h, a Mikaela Öven, a Mia, vai fazer uma Masterclass | aula online gratuita para a DHARMA5 academy, o tema é a parentalidade e vão ser abordados assuntos como a cooperação entre pais e filhos, a comunicação efectiva e a criação de proximidade na relação.
Para ter acesso a esta Masterclass online 100% gratuita basta se registarem aqui.

Na entrevista que a Mia deu para o nosso Nheko ela referiu: "A parentalidade é o melhor curso de desenvolvimento pessoal do mundo - se tu o quiseres! "
É da nossa vontade que depende também a Vida em família que temos.


Esta publicação é fruto de uma colaboração com a DHARMA5 academy uma plataforma que promove conteúdos digitais com o objectivo de contribuir para a formação pessoal dos indivíduos na sua procura de viver melhor e de forma mais plena e feliz.
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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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