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Inês Castel-Branco

Inês Castel-Branco dispensa grandes apresentações,  muito ligada à família em criança foi maria-rapaz não por vocação mas por necessidade, não consegue estar parada e começou a trabalhar como modelo ainda adolescente seguindo-se a formação de actriz. O papel que mais a fascina é o de mãe e, aos 34 anos, diz-se feliz com o que a vida lhe deu e com o que não deu deixando-se surpreender diariamente com o bom que é viver assim.


Nheko: Como é a tua vida em família?
Inês: Tenho dois irmãos rapazes, os meus pais separaram-se quando eu tinha 8 anos, vivi depois só com a minha mãe e com os meus irmão mas tenho imensos primos, 11 do lado da minha mãe e 14 do lado do meu pai, desses já há mais de 20 filhos, enfim é uma família gigante que tenta estar muitas vezes reunida, normalmente na Páscoa vamos para uma casa no Alentejo e somos mesmo muitos.
Tenho uma prima que é como uma irmã mais velha, nós éramos só três raparigas e uma foi viver para Itália por isso esta era a minha única companhia feminina.

Nheko: Nasceste maria-rapaz ou foi uma estratégia de sobrevivência?
Inês: Tornei-me uma maria-rapaz para que os meus irmãos brincassem comigo senão estava sempre sozinha, era chutada para canto. Decidi aprender a fazer o que eles faziam, jogar futebol e tudo o resto o que depois resultou bem porque hoje em dia o desporto é uma coisa fundamental na minha vida e deu-me uma noção de competição que acho muito importante em todas as áreas. A competição saudável faz parte de mim e acho uma coisa muito positiva e, embora eu tenha mau perder acho que é uma coisa normal, acho que sou assim por imitação de comportamentos, os meus irmãos sempre foram assim, o meu pai também, nunca gostámos de perder nem a feijões.

Nheko: Tens uma boa relação com os teus irmãos, em crianças zangavam-se muito?
Inês: Só as coisas normais de irmãos, nunca nos zangámos mesmo, talvez porque na nossa família nunca houve dinheiro (risos), normalmente os irmãos zangam-se a sério quando alguém morre e há partilhas para fazer, aqui não há nada para dividir, só amor e está tudo bem.


Nheko: Depois de crescer num universo maioritariamente masculino tu também tens um filho rapaz...
Inês: Pois, mas adorava ter uma filha, pode ser que ainda tenha, vamos ver. Eu adorava ter uma família grande mas penso que se calhar já não vai acontecer, não sei, é normal que a vida de fantasia que criámos na infância não corresponda à realidade, que caia por terra quando crescemos, nem tudo é como idealizámos mas isso tem um lado fantástico que acontece sem termos pensado nele, eu nunca me imaginei com 34 anos, mãe solteira mas a verdade é que sou muito feliz assim, a vida mostra-nos que há muitos caminhos possíveis.




Nheko: Como foi o teu percurso escolar?
Inês: Sempre fui uma aluna média, nunca gostei muito de estudar, acho que se tivesse tido um melhor método de estudo teria tido melhores resultados, andei no liceu Rainha Dona Amélia que era uma escola de betos, no 12.º ano mudei para o Passos Manuel porque era o único onde podia ter estatuto trabalhadora estudante e eu na altura já estava a trabalhar como modelo.
A minha mãe não teve uma vida muito convencional e isso influenciou-a nas suas escolhas e a nós também, ela andou na universidade mas não concluiu e a grande diferença que eu sentia em relação aos meus amigos era que connosco não havia a pressão de ter de tirar um curso superior, o meu irmão mais velho fez a faculdade e eu e o meu irmão do meio tirámos cursos técnicos, sempre nos foi permitido fazer as escolhas que nos faziam felizes e os três sempre trabalhámos naquilo que gostamos, nunca houve da parte da minha mãe uma imposição de nada, havia regras para uma vida em conjunto mas tudo muito justo e tranquilo.

Nheko: E a tua adolescência?
Inês: Normalíssima, super saudável, com namorados, melhores amigas e tudo o que era normal. A minha relação com a minha mãe até nessa altura foi boa, falávamos a mesma linguagem, os meus amigos também percebiam isso, tinham um à vontade com ela como não havia com as outras mães. Mas ela era muito conservadora em algumas coisas, eu fui a última a poder fazer muita coisa e também era muito protegida pelos meus irmãos, até demais, cheguei a uma idade que já não suportava mais essa protecção.



Nheko: Começaste a trabalhar muito cedo, antes de teres idade para isso, certo?
Inês: Era menor, havia um café por baixo da minha casa que servia baguetes e onde eu me impingi para trabalhar, comecei por levar uns cafés às mesas e passados uns dias estava a fazer sandes e passado um mês a receber o primeiro ordenado. Ainda hoje quando encontro o dono ele me diz que nunca se vai esquecer de que eu é que me ofereci para trabalhar, tem imenso carinho por mim.
Eu fui a primeira a sair de casa, aos 17 anos fui viver sozinha, passados uns 8 meses comecei a namorar com um rapaz da Figueira da Foz, ele ficava comigo quando vinha cá e eu com ele quando ia lá, namorámos durante três anos e depois a seguir a este namorado conheci o pai do meu filho com quem estive 9 anos.




Nheko: Quando é que começaste a trabalhar como modelo e depois como actriz?
Inês: Como modelo foi aos 15 anos mas eu não me identificava muito com aquilo, eu não me arranjava nem depilava, era uma miúda que queria era andar de patins em linha e tinha as pernas com nódoas negras mas a verdade é que aquilo me dava dinheiro e fui ficando e fazendo, a minha booker, a certa altura, inscreveu-me num curso que ia haver para actores porque achou que podia ter mais a ver comigo. Eu tinha de preparar um texto, um diálogo e um monologo e correu-me tudo pessimamente. Quando já achava que tinha acabado os jurados pediram-me para fazer uma improvisação, tinha de usar uma cadeira e improvisar. Eu estava nervosíssima mas acabei por fazer uma cena muito cómica que os deixou todos a rir e que me provocou uma sensação única de felicidade.
Eu não me lembro de ter tido nunca esta relação com o palco mas a minha mãe conta um episódio engraçado, eu era pequena e participei numa peça onde era uma Odalisca e tinha de dançar com outras quatro para um príncipe que tinha de escolher uma, parece que eu dancei como uma adulta o que provocou grande espanto na assistência e um certo embaraço na minha mãe. Ai ela diz que sentiu que entre mim e o palco havia qualquer coisa especial, eu nunca senti nada até este dia da audição.
Fiz então este curso de verão da Patrícia Vasconcelos e conheci muitas pessoas inspiradoras nomeadamente o pai dela, o António Pedro Vasconcelos que me dava aulas de cinema, ainda andei algum tempo a achar que o meu caminho era mais para a realização mas fiz outras formações e comecei a ser cada vez mais fiel ao acting, comecei a trabalhar e nunca mais parei até hoje. Entretanto até já tirei um curso de realização e ainda quero fazer alguma coisa nessa área mas sinto que me falta ainda maturidade, eu gosto muito de ser dirigida, de fazer parte da ideia de alguém.



Nheko: Sempre quiseste muito ser mãe, como foi a experiência da gravidez?
Inês: Sim, eu sempre quis muito ser mãe, mais do que estar grávida, em pequena quando me perguntavam o que é que eu queria ser eu respondia que queria ser mãe, a única coisa "de menina" com que brinquei foi com bebés "nenucos". Sempre soube que queria ser mãe e que gostava de o ser cedo mas não me queria precipitar nem pressionar ninguém e pensei que quando chegasse a hora eu ia perceber, e a verdade é que percebi.
Mas tive um caminho difícil até engravidar do Simão, foi uma saga que durou quatro anos até que percebi que havia uma condição congénita que não me permitia concretizar as gravidezes, depois fui operada e finalmente engravidei mas foi duro e desesperante lidar com o medo de voltar a correr mal, eu tinha medo de tudo, até dei o nome dos "três tristes trimestres", no primeiro foi o medo, depois engordei 33 kg, o meu médico só me dizia: "Continue a engordar que depois vai ter uns belos papeis à sua espera...", eu comia muito, era capaz de comer dois bitoques seguidos, eu enlouqueci! Depois tive um problema que me afectou as cordas vocais que me deixou sem conseguir falar durante o fim da gravidez e o primeiro ano de vida do Simão, até tive de fazer terapia da fala. Para finalizar o cenário eu, como um grande número de grávidas, decidi fazer obras em casa e, como um grande número de obras, atrasou e tive de ir viver para casa dos meus sogros que foram e são incríveis mas a verdade é que eu estava grávida, a comer o frigorífico inteiro e sem ser na minha casa. Não posso dizer que adorei estar grávida mas, desde o segundo em que ele nasceu... esquece! Nada no mundo iguala este papel de mãe.



Nheko: A tua mãe é uma grande inspiração, como mãe és parecida com ela?
Inês: Acho que sim mas eu tenho o pai do meu filho que é um grande pai, eu separei-me quando o Simão tinha perto de 2 anos mas nós fazemos tudo a 50/50.
Às vezes dizem-me que tenho grande sorte porque ele é óptimo mas eu não acho que por ser homem tenha de ser enaltecido, este é um papel dos dois. Esta sociedade machista acha que um pai que faz o mesmo que uma mãe é um pai absolutamente incrível, no nosso caso há um compromisso sério, entrámos os dois nesta aventura e estamos cá mas a verdade é que a minha mãe não teve esta "sorte", aí tenho a vida muito mais facilitada do que ela alguma vez teve. Aliás, eu no fundo acho que nasci com o rabinho virado para a lua em todos os aspectos; com a mãe que me calhou, a profissão que escolhi, o filho que tenho... a vida corre-me sempre bem, até tenho medo de o dizer alto mas é a verdade, eu nunca tive grande problemas o que até pode ser visto como desinteressante, eu quando dei a entrevista para o Alta Definição houve comentários na caixa de mensagens que referiam essa falta de interesse, mas é assim, a minha vida não teve nunca dramas e foi sempre muito fixe.

Nheko: Ouves a tua mãe nas tuas palavras com o teu filho?
Inês: Imensas vezes, acabo de falar e penso Eu sou ela!. Acho que no essencial que não concordava eu não repito, as outras, que eu nem sabia que concordava, essas repito mesmo sem querer.
Viver bem em sociedade, ser cordial com os outros, tratar bem toda a gente, nisso somos iguais mas depois há formas de fazer que até tem a ver com a geração em que somos diferentes. Ela protegia-nos muito em relação aos seus problemas e eu não faço isso, posso fantasiar a forma como conto mas não escondo.




Nheko: No ano passado fizeste uma viagem muito grande sozinha com o teu filho, como foi essa experiência?
Inês: Estivemos um mês e meio em Bali. Eu trabalho muito e embora desde que ele nasceu tenha reduzido um pouco ainda é muito. Este ano que passou finalmente comecei a colher os frutos do trabalho árduo dos últimos 10 anos e quando cheguei ao fim de um projecto sabia que tinha quatro meses de férias então pensei que o que mais me apetecia era viajar mas como não consigo ficar mais de quinze dias longe do meu filho a solução era irmos os dois. Houve alturas difíceis, nunca tínhamos estado tanto tempo juntos, é incrível mas é verdade, nós somos mães mas se formos ver o tempo útil que estamos com eles é pouco, foi um mês e meio, 24 sobre 24 horas juntos. Eu estive sempre preocupada com as questões da segurança, o dengue, a água, etc mas o balanço foi muito positivo, foi uma experiência fantástica.
O Simão é um miúdo que vive numa bolha, todos nós achamos que os nossos filhos são especiais, é um lugar comum, mas ele é de facto muito especial e nisso sai ao pai, ele vive numa bolha tem um mundo muito próprio e consegue sempre estar bem, entreter-se e ter coisas para fazer. Antes desta viagem ele não fazia amigos com grande facilidade e até se dava melhor com adultos do que com crianças, no meu grupo de amigos fui a primeira a ser mãe. Quando lá chegámos e ele percebeu que ninguém falava a língua dele e não o percebiam tal como ele não os percebia a eles ficou um bocado abananado e agarrou-se muito a mim mas depois conseguiu dar a volta fazer amigos e sair da sua bolha.
No fim do verão ele ia entrar numa escola nova, bilingue e nós andávamos a prepará-lo mas ele no fim da viagem descansou-nos, disse "Mãe, agora já estou preparado para a escola nova!" e de facto ele adaptou-se muito bem por isso esta viagem também serviu para o preparar para esta nova realidade, foi como um estágio.



Nheko: O que é que pesou na escolha da escola?
Inês: Queria que fosse bilingue mas que não fosse elitista, duas coisas que em Portugal são contraditórias porque as escolas bilingues são privadas e caras, logo elitistas, mas esta em particular não é. Havia três hipóteses, fui pesquisar os métodos e quando fui visitar a escola rendi-me por completo. É uma escola multi-cultural, trabalham de uma forma fantástica com um ritmo próprio e muito adequado, talvez sejam um pouco rígidos de mais com a disciplina mas isso eu desconstruo em casa.
A mim custou-me muito não ter um bom método de estudo e as pessoas que conheço que saíram desta escola têm um excelente ritmo de trabalho, método de estudo e uma visão abrangente do mundo, é-lhes incutido um gosto, quase uma necessidade de sair, de ir conhecer o mundo. Acredito que nesta idade é muito importante ter uma boa escola mas estou sempre atenta e procurarei sempre perceber onde é que ele está feliz.

Nheko: As decisões sobre a educação ou outros assuntos da vida do Simão são tomadas verdadeiramente em conjunto ou há um que decide e o outro que concorda?
Inês: Quando estávamos juntos e ele era pequeno passava quase tudo só por mim porque eu assim queria e recusava ajuda, por exemplo a fase das papas e da sopa, eu queria fazer sempre tudo sozinha, é uma tendência que temos e que depois acaba por criar uma dinâmica muito desequilibrada.
Nós entendemo-nos bem e concordamos com facilidade, esta questão da escolha da escola foi talvez a que nos fez mais discutir mas no sentido da argumentação e da procura conjunta da melhor solução. Nós não discordamos muito em relação à educação do Simão, há diferenças que são respeitadas como tal e aprendemos a viver com elas, Na casa do pai há playstation, na da mãe não há, eu não controlo o que se passa lá, dou as minhas opiniões e depois confio, há uma responsabilidade partilhada.




Nheko: És uma mãe galinha?
Inês: Acho que não, vejo as minhas amigas a terem filhos e são tão preocupadas, eu ao contrario da maioria não tive medo nenhum de vir para casa com o bebé, parecia que já tinha tido uns dez filhos, era tudo super natural e tranquilo e tem sido sempre assim. Noto que hoje há uma histeria com as questões da alimentação, as pessoas tornaram-se reféns de certas questões, eu não sou nada fundamentalista com nada, acho importante ir ao Mac Donald's de vez em quando, faz parte, faz mal mas é uma coisa que acontece esporadicamente tal como tirar uma pizza do congelador e comer a ver um filme, ninguém morre, acho que as pessoas se preocupam demasiado com coisas que não interessam assim tanto. Eu não quero ser refém de nada, a comida, a roupa, a escola... tem importância mas é relativa, para mim fundamental são as questões de carácter, a forma como tratamos os outros e como nos tratamos a nós próprios, isso é que verdadeiramente me preocupa.

Nheko: Como é que lidas com o sentimento de culpa?
Inês: A culpa é horrível, é tramada. Eu hoje sinto culpa se sou descuidada comigo e se me podia ter acontecido alguma coisa. Acho que tem muito a ver com a nossa educação, a minha foi católica, habituei-me a viver com a culpa, em miúda ainda achei que se me confessasse me safava mas depois comecei a questionar tudo, quanto mais crescia mais questionava.
Eu, ao contrário dos meus pais, não incuti religião nenhuma ao meu filho, a decisão tem de ser dele, sempre lhe falei de tudo, no pré escolar falavam-lhe de Cristo e eu acrescentava sobre Buda, Alá, sempre lhe expliquei que há pessoas que acreditam em coisas diferentes e que ele quando crescer vai poder escolher. 


Nheko: Qual a característica do teu filho que mais te emociona?
Inês: A sensibilidade dele é incrível. Ele emociona-se a ouvir música, vê uma árvore sozinha na paisagem e diz que lhe lembra a Vovó, a bisavó que morreu quando ele tinha 2 anos. Ele tem uma percepção do mundo muito bonita, é fascinante perceber as ligações que faz.

Nheko: As artes|expressões criativas fazem parte da vossa vida?
Inês: O pai do Simão é artista plástico e nos últimos anos também se tem dedicado à música, aprendeu a tocar tudo, constrói instrumentos e tem muitos em casa, de momento o Simão está muito virado para a música por influência do pai,ele imita-o em tudo. 
Nós vamos muitas vezes ao teatro, ele no outro dia até se queixou que vamos vezes demais... também vamos a concertos e ver exposições. Há coisas que eu gosto e ele não gosta e outras que ele adora e eu não tanto, tem a ver com a linguagem e o imaginário dele no momento, às vezes eu consigo entender exactamente o que é que o fascina em determinado espectáculo.

Nheko: Consegues dar a tua opinião sincera aos intervenientes de um espectáculo que assististe e não gostaste?
Inês: Depende, depende da minha relação com as pessoas e com a própria relação delas com as críticas. Há amigos próximos com os quais eu teria todo o à vontade para ser sincera mas que sei que se melindram muito e aí tento ter a sensibilidade de dar a minha opinião da forma mais acertada possível, muitas vezes prefiro ir para casa, deixar assentar o pó e depois ter um discurso mais construtivo em vez de uma opinião a quente.




Nheko: O que é que te preocupa no seu processo de crescimento do Simão, o que te provoca "dores de crescimento"?
Inês: Que não faça as asneiras na altura certa, sempre ouvi dizer que se as asneiras não são feitas na altura que se devem fazer depois é bem pior. Eu tenho medo do normal, das drogas, do álcool, do que pode correr mal. Sempre tive muito respeito pelas drogas, tive casos de dependência na minha família e sempre me foi dito que era muito perigoso. Mas eu quero explicar ao meu filho as coisas de forma diferente, a mim, e à minha geração, sempre nos foi dito que a droga era uma coisa muito má, um veneno, e depois as pessoas experimentam e é uma coisa muito boa e aí sentem-se enganadas. Eu vou optar por explicar o lado mais cientifico da coisa, vou explicar que as drogas são feitas para provocar uma sensação muito boa nas pessoas mas que isso é só durante um momento e que as drogas são compostas por produtos que são muito maus para o organismo, que provocam isto e aquilo. Eu acho que é uma forma de explicar bem mais acertada, a ciência é sempre uma boa forma de explicar as coisas que assustam: a morte, as doenças, as drogas.


Nheko: Como são os vossos dias?
Inês: Gostamos de ir à praia, de fazer piqueniques, ir a jardins e eu adoro receber amigos em casa, o Simão está muito habituado a ter a casa cheia de gente e de barulho, à sua hora vai dormir, sempre foi tranquilo, ele é muito bonzinho, nunca me deu problemas, nem nunca fez birras.

Nheko. É difícil equilibrar a vida familiar e profissional?
Inês: A minha profissão tem horários meio loucos mas desde que o Simão nasceu eu consegui sempre que me fossem atribuídos papeis mais pequenos, os trabalhos que faço para televisão são pela SP onde trabalho há mais de oito anos e é como se fosse a minha família, quando o Simão nasceu eu deixei bem claro quais eram as minhas prioridades, queria e tinha de continuar a trabalhar mas queria também ter tempo para o meu filho e sempre respeitaram esta minha opção. No próximo ano vou fazer uma personagem maior e mais trabalhosa e estou cheia de medo, nem eu nem o Simão estamos habituados a estar um sem o outro e ele vai entrar para o primeiro ano. Eu já me conheço e sei que quando me proponho a fazer uma coisa é para fazê-la bem custe isso o que custar portanto, sei que este desafio vai implicar muitas horas de estudo além das horas normais de trabalho e por isso já pedi ajuda às pessoas à minha volta. Sei que vai ser um ano duro mas ao fim de cinco anos acho que está na altura de ir além dos papeis pequenos e dar continuidade ao meu trabalho, surpreender o público e a mim mesma, é um desafio e eu gosto muito de desafios.

Nheko: Gostas de desafios na tua carreira de actriz mas também fora dela, tens outras actividades que também são desafiantes na tua vida, é uma necessidade?
Inês: Eu não consigo estar parada, parada enlouqueço. Tive uma empresa de festas para crianças mas que acabou há pouco tempo, dava-me muito mais trabalho do que lucro, tirando a felicidade que era ver as crianças com a sua festa de sonho concretizada pouco mais me dava de bom, resolvemos fechar. Tenho uma loja de roupa em segunda mão e sou sócia da cafetaria no Village Underground. Parada é que nunca.




Nheko: Como é que geres a tua exposição e a do Simão?
Inês: Eu não gosto de o expor, falo muito sobre ele e acho que o faço sobretudo para ele saber que tenho imenso orgulho dele. Um dia ele vai ler as minhas entrevistas e vê que, desde que nasceu que é a coisa mais importante da minha vida, é este orgulho de mãe que me faz falar tanto dele.
De resto a minha exposição nos meios de comunicação social, especialmente nas revistas cor de rosa é a mínima possível, eu faço parte de um sistema com o qual não me identifico mas preciso dele para continuar o meu trabalho e manter a minha vida, eu sou obrigada contratualmente a falar com a imprensa , tento arranjar um meio termo onde não me sinta devassada e defraudada e me consiga encontrar no que é escrito e que muitas vezes é descontextualizado e aparece de forma sensacionalista e sem respeito nenhum pela verdade. Quando vou a um evento com imprensa provoca-me bastante ansiedade porque sei que as perguntas serão sempre sobre temas que acho pouco interessantes. O meu cabelo, a reacção do meu filho, a minha mãe. Mesmo que o algum publico goste dessas coisas. Acho que deveria haver uma responsabilidade maior em falar sobre temas mais importantes e isto não quer dizer que eu seja muito interessante , mas gostava que a nossa imprensa fosse mais preocupada. Há temas interessantes nas novelas e personagens que interpreto e podemos fazer as pessoas pensar neles.

Fotografias Vitorino Coragem

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14 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada,eu também adorei fazer esta entrevista ;-)

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  2. Li do principio ao fim, sem tirar os olhos do ecrã um minuto... Acredito que isso é suficientemente representativo daquilo que achei.

    Go girl!

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  3. Gostei muito da entrevista. É um bom exemplo para todas nós mulheres!

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  4. Tem alguma publicação antiga sobre como lidar com adolescentes, sobretudo raparigas?

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    1. Olá, tenho três filhas adolescentes por isso esse é um tema que muitas vezes está presente nas publicações que faço. Há duas que foram feitas em conjunto com um grupo de raparigas incluindo a minha filha mais velha e que mais do que ser sobre o lidar com a adolescência aborda o olhar das adolescentes sobre a vida, chamam-se "Fala com elas": http://www.nheko.pt/2015/11/fala-com-elas.html http://www.nheko.pt/2016/03/fala-com-elas-02.html
      Se quiser pode-me enviar um email para alexandra@nheko.pt para trocarmos algumas ideias sobre este tema, obrigada.

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  5. Bestial. Que trabalho e com tanta dignidade!

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  6. "Haviam três hipóteses, fui pesquisar os métodos e (...)"
    Escreve-se/diz-se "Havia três hipóteses", portanto, para escrever conforme foi escrito/dito (presumo) devia ter escrito [sic].
    Num blog desta envergadura, não há necessidade de um erro tão grosseiro!

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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