/ 8.4.16 / 2 Comments / , , , , , , ,

Asas de papel que nos fazem voar



A Ainhoa Vidal está de volta ao São Luiz onde se sente em casa e onde pode, confortavelmente, trabalhar como tanto gosta: com liberdade criativa, tempo, entusiasmo e rigor.
São Luiz Teatro Municipal é um oásis no panorama actual, um projecto feito por gente extraordinária, dedicada, consciente, presente, desafiadora e feliz.

Este novo trabalho da coreografa, bailarina e muito talentosa fazedora de coisas bonitas, é o resultado de quase um ano de pensamento, procura, encontro, construção, sonho, experimentação, recolha e concretização.
No passado mês de Outubro a Ainhoa deu início a um trabalho de auscultação e recolha de material juntos de cinco grupos do pré escolar do Jardim de Infância de Santo Contestável. Com ela levava a certeza de querer trabalhar com livros e que havia uma casa que explodia, tudo resto iria depender dos generosos contributos das crianças. Nesta escola esteve uma semana intensiva em sessões de movimento e de diálogo, e deu início a este processo criativo partilhado.
Em Janeiro, e já com o motivo da explosão da casa definido, seguiu para a segunda escola que entrou nesta aventura, o Jardim Infantil Pestalozzi.
Aqui trabalhou com dois grupos, a sala dos 3-4 e a dos 4-5 anos, contando com o envolvimento das equipas pedagógicas que trabalhavam com as crianças nos períodos que intervalavam as sessões da Ainhoa na escola. 
Em cada encontro eram deixadas tarefas para concretizar e só depois de conseguirem atingir o objectivo proposto se voltavam a encontrar. Este processo demorou cerca de três meses. A história foi então sendo construída a partir das respostas encontradas em conjunto com as crianças e o cenário ia avançando ao ritmo da introdução de novos elementos no argumento. Um trabalho lento, feito com tempo, onde todos tiveram a possibilidade de se sentir parte. 
Sair dos lugares comuns e das referências externas e estereotipadas foi um dos maiores objectivos da coreografa que ia "peneirando" com rigor e sentido cada participação das crianças. Fazê-los entrar num universo onde a poética se sobrepõe às referências dos desenhos animados e da publicidade televisiva foi um desafio superado, encontrar dentro de cada criança a linguagem dos sentimentos foi um caminho conseguido e o resultado aconteceu numa criação conjunta que se chama Asas de Papel, nome dado por uma das meninas que se deixou levar.






A intervenção de artistas nas escolas é uma estratégia de enriquecimento da prática pedagógica, uma aprendizagem para todas as partes envolvidas e um processo desencadeador de novas sinergias. 
Estes meninos nunca mais serão os mesmos depois desta viagem e depois de se sentirem parte deste processo criativo.
Estas educadoras vão sair reforçadas tanto ao nível dos instrumentos e ferramentas de trabalho como da relação com as suas crianças. Esta é uma vivência significativa capaz de provocar transformações intensas em todos os intervenientes. 
E este é também o papel de uma programação para os mais novos que promove a entrada da arte nas escolas e das escolas na arte.
Obrigada à Ainhoa por nos emocionar sempre com a sua honestidade e sensibilidade, obrigada à equipa do São Luíz por ser tão séria e capaz na sua missão e possibilitar a concretização deste tipo de projectos.






Para o público famíliar as sessões acontecem nos dois próximos fins de semana, não sei se já estão esgotados, é provável que sim porque há um público desperto e atento que reconhece nesta casa a qualidade da sua programação e corre a assegurar que não vai perder mais esta oportunidade de se enriquecer.
Nós vamos lá e eu sei que me vou emocionar e sair dali muito mais feliz do que entrei. E esse é um dos grandes poderes da criação artística, fazer-nos felizes.
Bom fim de semana.



Esta é a história de um instante, um segundo, uma fractura do tempo, esta é a história do momento em que tudo saltou, tudo voou, tudo desapareceu. 
Mas não há final sem início, nem início sem final e como em todas as histórias não há protagonista sem aventura nem aventura sem acidente. Sabem que saltar é voar e aterrar é chegar. Sabem que ao olhar para cima olhamos para trás e que o tempo nunca é uma coisa linear, como uma linha nunca é uma linha se não uma sucessão de acontecimentos, e disso, dos acontecimentos iremos falar. Agora sigam-me, sem medo e sem pausa, atirem-se para o vazio do voo e deixem-me levar a mochila da aventura. Vamos. 
Ainhoa Vidal

Criação: Ainhoa Vidal
Música: Pedro Gonçalves 
Cenografia: Carla Martínez e Ángel Ruiz Orozco
Desenho de luz e vídeo: João Cachulo 
Operação de luz, som e vídeo: João Cachulo e Gonçalo Alegria
Apoio ao texto: Inês Rosado 
Produção: Sara Simões, Produtores Associados
Residência artística - Câmara Municipal da Moita / Centro de Experimentação Artística (Vale da Amoreira)/ Artemrede
Em colaboração com Jl Santo Condestável e Jardim Infantil Pestalozzi

9 a 17 de Abril
Segunda a Sexta às 10h30
Sábado e Domingo às 11h e às 16h
Sala Mário Viegas
Público-alvo: 3 > 5 anos
Share This Post :
Tags : , , , , , , ,

2 comentários:

  1. Que delicia e que bom existir gente assim! Obrigada Cana pela partilhe entusiasta e contagiante!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pelas simpáticas palavras. Abraço

      Eliminar

Sobre Nós

Apresentação

O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

A nossa loja

@nheko_

Seguir por e-mail

Pesquisar