/ 18.3.16 / No comments / , , , , ,

Fala com elas /02

Um grupo de adolescentes junta-se à volta de uma mesa e de um bolo de chocolate e a conversa acontece.
Este é o segundo encontro Fala com elas, conversas com adolescentes, sobre a adolescência.
Falámos sobre como é ser rapariga | mulher, mas "a conversa é como as cerejas" e não nos limitámos ao tema, seguimos viagem através dos pensamentos e das palavras da Rita e das suas amigas.
Podem ler ou reler a nossa primeira conversa aqui.


Rita, 16 anos: Vivo com os meus pais e os meus três irmãos, o meu pai é músico.Tenho duas irmãs gémeas com 13 e um irmão com 3 anos, somos uma família bastante unida e passamos muito tempo juntos.
Madalena, 17 anos: Tenho uma irmã com menos um ano que eu e antes discutíamos muito, agora já nos damos melhor, vivo com os meus pais.
Carolina, 16 anos: Eu vivo com os meus avós, com a minha mãe e com os meus dois irmãos que são mais novos. Os meus pais separaram-se há pouco tempo. Dou-me bem com o meu pai mas sou distante dele, tenho uma relação mais próxima com a minha mãe.
Inês, 16 anos: Eu vivo com a minha irmã gémea, o meu irmão com 19 anos, os meus pais e avó. Em nossa casa há sempre gente, ou a minha mãe ou a minha avó que é como uma segunda mãe.
Patrícia, 16 anos: Sou irmã gémea da Inês, vivemos juntas por isso é tudo igual. Tenho uma boa relação com a minha mãe. Estou a estudar no 10.º ano na área de economia, a Inês está em artes.
Mariana S., 15 anos: Vivo com o meu pai e com a minha mãe e com duas irmãs mais novas, uma com 10 e outra com 5 anos. Gosto muito de ser irmã mais velha. Tenho uma óptima relação com os meus pais, o meu pai é super descontraído e calmo e a minha mãe é como uma melhor amiga.


Nheko: Como é ser rapariga|mulher na sociedade actual?
Rita: Há situações em que é um privilégio...
Mariana S: Somos cada vez mais iguais com as devidas diferenças, estamos todos a um mesmo nível.
Inês: Actualmente a situação é razoável mas a sociedade espera muito da mulher, há muita responsabilidade em cima das mulheres. As mães são a base das famílias, são quem trata de tudo e de todos e espera-se que as mulheres consigam fazer tudo e ainda mantenham um comportamento muito ajustado.

Nheko: Sentem que há diferenças na educação das raparigas e dos rapazes?
Inês: Sem dúvida que sim, há muitas mais preocupações com as raparigas, os pais andam muito mais em cima, os rapazes são mais deixados à vontade, por exemplo para sair é diferente.
Mariana S: Há uma ideia de que os rapazes se conseguem defender sozinhos e que as raparigas são mais frágeis, que podem acontecer mais coisas às raparigas.
Rita: Há casos de amigos nossos que têm irmãs mais velhas e que eles podem sair mas elas não. Há também uma tendência para os irmãos serem mais protectores com as raparigas.
Patrícia: E nas tarefas domésticas também, lá em casa é: meninAs levantem a mesa.
Carolina: Em minha casa ainda não consigo perceber a diferença porque o meu irmão é muito pequeno.
Rita: Tenho uma amiga que tem dois irmãos e em casa ela faz tudo e eles não fazem nada.
Mariana S: As raparigas crescem mais depressa e também lhes são exigidas muitas mais responsabilidades. As raparigas e os rapazes são muito diferentes, é normal as raparigas terem amigos e namorados mais velhos porque os da mesma idade são muito infantis e imaturos.
Madalena: Na nossa geração há já mais igualdade na forma como as mulheres são tratadas mas com as pessoas mais velhas eu sinto ainda que há muitas atitudes discriminatórias, por exemplo o meu pai é muito critico com as mulheres ao volante.

Nheko: Há alturas que sentem que esse tratamento diferenciado vos privilegia?
Patrícia: Quando vamos sair, uma das vantagens é pagar menos ou nem pagar para entrar nos sítios, conseguimos sempre entrar e os rapazes são mais barrados.
Rita: Nas festas é esperado das raparigas e dos rapazes determinado comportamento, elas ficam mais na sua e a iniciativa é deles, é tipo uma regra: 1.º passo é deles senão "fica mal", é mal visto pelos outros.
Madalena: Isso é muito revelador da desigualdade em que ainda vivemos, acho que devia ser igual.
Rita: Se há um rapaz que eu quero conhecer eu não tenho problemas em ter a primeira iniciativa mas regra geral não é assim, e mesmo eu faço isso no contacto directo, pessoalmente, porque se for nas redes sociais já é diferente; Aí fica tudo registado, quem tomou a iniciativa e quem disse o quê, no caso da coisa correr mal ninguém quer ficar com essa imagem de ter tomado a iniciativa.
Inês: Essas situações acontecem só no início das relações, depois há igualdade e é tudo normal.

Nheko: Conhecem casos de casais das vossas idades que não se respeitem um ao outro na relação?
Mariana S: Eu conheci um casal que tinham uma relação péssima, ele era super possessivo e ciumento, controlava os "gostos" que os rapazes punham nas fotografias delas e chegava mesmo a ligar-lhes passado, fazia chantagem em relação às saídas dela, era uma relação muito má.
Inês: Acho que há uma mistura de infantilidade e insegurança nesses casos.
Rita: Nem sempre tem a ver com a confiança no outro. O ciúme é como uma característica da pessoa que não consegue bem controlar o que sente, quer a outra pessoa só para si e nem suporta que estejam perto. É estranho. Eu não sou muito ciumenta mas já senti ciúmes em relação às minhas amigas, mas era uma coisa bem infantil, já foi há uns anos.

Nheko: Sentem que os adultos confiam de forma diferentes nos rapazes e nas raparigas?
Madalena: Para sair. A minha mãe confia muito mais no meu namorado do que em mim, se vou sair sozinha ela faz-me um interrogatório: com quem vou, para onde, como vou, como venho... se vou com ele, está tudo bem.
Mariana S: Há muitos casos assim, as mães confiam muito nos namorados das filhas.
Rita: Isso tem uma explicação, quando vais sair sozinha, sem namorado e só com amigas passas uma imagem mais disponível e os rapazes desconhecidos vêm chatear, se estives com namorado, estás mais protegida.
Patrícia: Isso acontece mesmo só com amigos, se eu disser à minha mãe que vou sair e vou de comboio ela preocupa-se em saber se no grupo há rapazes, fica mais descansada se for acompanhada com amigos.
Carolina: E os rapazes até arranjam mais confusões, mas é entre eles.
Rita: Eu acho que as coisas podem sempre acontecer, haja rapazes ou não, isso é só uma ideia feita.
Mariana S: Depende muito das pessoas, temos de ser espertas e perceber que podemos evitar certas situações e estar atentas à nossa segurança.

Nheko: Como é que lidam com o assédio da parte dos rapazes?
Rita: É um "assédio saudável", eles metem-se, nós reagimos, faz parte, pelo menos nos locais onde vamos não há muito mais do que isto, mas somos muito diferentes na forma como lidamos com isso.
Carolina: Eu não gosto nada, reajo sempre mal.
Mariana S: A Carolina foge!


Nheko: Gostam de ser raparigas?
Madalena: Em pequena eu achava que os rapazes tinham imensas facilidades, até tinha uma lista, (fazem chichi em pé, o que dá imenso jeito). Mas agora gosto muito de ser rapariga, gosto da relação com as minhas amigas, com o meu namorado, gosto mesmo de ser rapariga.
Carolina: Eu gosto muito! Devo ser o maior exemplo da verdadeira rapariga: pirosa, vaidosa, super feminina, compras, roupa. Ser rapariga é muito melhor, nem consigo pensar noutra coisa.
Inês: Não sei bem responder, as raparigas têm muitas mais responsabilidades e um papel mais difícil, os rapazes podem fazer chichi em pé e em qualquer lugar, não dão à luz, não têm o período. Depois como mães têm a seu cargo grande parte da responsabilidade da educação dos filhos, são as encarregadas de educação que assinam tudo. Mas eu nasci rapariga e sempre vivi com esta condição, vivo bem com isto e gosto imenso do universo feminino. Gosto da preocupação com a roupa, os cuidados quando vamos a uma festa e tudo isso.
Patrícia: Essa parte do universo feminino eu dispensava, prefiro vestir umas calças e uma tshirt e já está. Em miúda também dizia que queria ser rapaz agora gosto de ser menina, mas acho que os rapazes podem andar muito mais à vontade, se eu sair de casa com umas calças quaisquer e uma camisola toda larga e pouco cuidada vai ficar tudo a olhar e a comentar, há muito mais pressão. Eu prefiro andar confortável mas sinto que a sociedade exige que eu, como rapariga, ande bem arranjada.
Inês: Para mim é confortável andar bem arranjada e sentir-me gira. Prefiro uma camisola gira a uma camisola quente mesmo em dias de frio.
Rita: Eu tive uma altura em que me sentia muito mais próxima do mundo dos rapazes, os meus amigos eram praticamente todos rapazes e achava as raparigas muito complicadas e intriguistas. Acho que também depende muito da idade, agora já não tenho essa atitude e sinto-me muito bem como rapariga e entre as minhas amigas mas continuo a achar que os rapazes têm uma forma tão mais simples de ver a vida e têm um sentido de humor muito apurado o que eu gosto muito.
Mariana S: Isso faz toda a diferença, um rapaz até pode ser feio mas se tiver pinta e piada é um rapaz atraente e social. Eu adoro ser rapariga mas não sei o que é ser rapaz. É mais difícil ser rapariga, a sociedade é muito exigente e castiga muito as raparigas. O mesmo comportamento num rapaz é visto de uma forma e numa rapariga de outra. Se um rapaz está com 10 raparigas numa noite é "granda patrão", uma miúda que esteja com mais que um rapaz é logo uma "porca". A eles tudo e permitido.

Nheko: E qual a diferença no olhar da sociedade face a uma "Maria-rapaz" e a um "rapaz-Maria"?
Patrícia: Eles são muito mais mal vistos!
Mariana S: Eu conheço um rapaz que por ter um aspecto mais menos másculo e por não gostar das coisas que normalmente os rapazes gostam ele é muito criticado e afirmam que ele é gay. Ele é uma excelente pessoa, amigo e simpático, tem imensas amigas mas não gosta nem de rugby nem é musculado, não é tão masculino e só por isso toda a sociedade o vê como um gay. 
No caso dele é muito injusto e acho uma coisa completamente estúpida e irracional.
Inês: Há também pais que são muito inconvenientes e que reagem muito mal se uma criança rapaz quer brincar com bonecas, acham que os rapazes têm todos de jogar à bola e brincar com carros.
Patrícia: Essa atitude dos pais é horrível, além de não fazer sentido pode até fazer com que as crianças apenas queiram as coisas por serem proibidas.
Rita: Pior que isso é que essas crianças, esses rapazes quando crescerem vão ser adultos que vão continuar a descriminar, vão manter esse comportamento, achar que um rapaz que brinca com bonecas vai ser gay.
Mariana S: Raparigas usarem coisas de rapazes é encarado com normalidade, rapazes com coisas de raparigas é escandaloso para a nossa sociedade.
Patrícia: Tenho um bom exemplo disso, na minha escola vai haver um sarau e perguntaram quem queria dançar, dois rapazes puseram a mão no ar e ficou tudo a olhar e a gozar com eles, se fosse para jogar à bola e eu levantasse a mão já não havia problema nenhum.
Mariana S: Isto faz com que muitos que até gostavam de dançar não o façam porque sabem que vão ser descriminados e gozados.
Madalena: Esperemos que essas coisas mudem em breve. Eu fiz um trabalho para Educação Física e fiquei a saber por exemplo que nos jogos Olímpicos ainda há modalidades exclusivamente masculinas e mesmo em termos de profissões ainda há muitas divisões, as mulheres são excluídas de muitas hipóteses.


Nheko: Acham que há profissões exclusivas para homens ou para mulheres?
Mariana S: Há profissões que é estranho imaginar mulheres a desempenhar: Carpinteiro ou nas obras a assentar tijolo, não imagino uma mulher, as mulheres são mais delicadas e frágeis.
Rita: Não concordo nada! Há mulheres bem fortes fisicamente e homens trinca espinhas todos franzinos. Acho que a capacidade para uma profissão tem mais a ver com a condição física da pessoa e não com o facto de ser homem ou mulher.
Madalena: A questão importante é o acesso às mesmas oportunidades e depois cada um poder escolher de acordo com o que gosta.
Rita: Eu não consigo imaginar um segurança todo musculado e bruto a dançar uma peça de ballet mas não tem a ver com o facto de ser homem, imagino bem uma mulher grande e cheia de músculos na porta de uma discoteca.
Inês: Eu também acho que deve haver livre acesso mas há profissões nas quais não imagino mulheres, canalizadoras?
Madalena: Ou homens a dias...?
Rita: Eu não concordo nada, eu imagino tudo, não há profissões nem tarefas exclusivamente para mulheres ou homens.
Patrícia: Eu já pensei em ser piloto mas tenho muitas dúvidas porque é um universo só masculino, o meu irmão está a tirar esse curso e só tem uma rapariga na turma, nem farda para mulheres existe.

Nheko:  Quando pensam nas vossas vidas no futuro como encaram este tema da igualdade?
Mariana S: Na minha casa é a minha mãe ou eu que levantamos a mesa, e essas coisas, o meu pai não faz nada. Eu gostava que na minha família não fosse assim, gostava que houvesse igualdade, se as coisas forem divididas são mais fáceis.
Rita: Antigamente as mulheres não trabalhavam fora de casa, o seu trabalho diário era a casa e os filhos, essa realidade mudou e hoje trabalham os dois fora de casa mas as mentalidades e os hábitos ainda não mudaram totalmente e as mulheres chegam cansadas e ainda têm a seu cargo tudo o que tem a ver com a casa. Estas coisas têm a ver com a educação e se nós não somos educados com estas preocupações dificilmente iremos fazer diferente, o exemplo que temos em casa é muito importante é o que nos molda para o futuro.
Madalena: Eu concordo, também acho que tem muito a ver com a educação, na casa do meu namorado os rapazes levantam a mesa incluindo as coisas das mulheres da casa, é muitas vezes o pai que faz o jantar e as mulheres são tratadas com muito respeito e atenção, é um excelente exemplo.
Inês: Nós em casa somos muitas mulheres, somos quatro e os homens dois, acabamos por fazer tudo, dominamos, para o bom e para o mau.
Rita: Eu vi uma coisa muito interessante, uma experiência que fizeram: Um casal a discutir na rua e a rapariga começava a bater no rapaz, a reacção das pessoas era contra o rapaz, mandavam-no embora dali, etc. Depois fizeram a mesma situação mas com o rapaz a agredir a rapariga e aí as reacções foram bem agressivas para com o rapaz. Há uma protecção ao sexo feminino e isso mostra que as mulheres são consideradas mais frágeis e têm de ser protegidas. As mulheres até podem ter menos força mas são muito fortes interiormente.


Nheko: Como foi a vossa educação no que toca a temas ligados à mulher: a menstruação, as alterações hormonais e o crescimento do corpo, a iniciação à vida sexual. São temas tabu ou lidam bem com eles?
Madalena: Eu sou muito aberta e consigo falar sobre tudo até com rapazes.
Rita: Eu também falo com naturalidade mas acho que os rapazes ficam super incomodados.
Inês: Acho que os rapazes mais maduros conseguem lidar melhor com esses assuntos.
Patrícia: Eu tenho uma grande vantagem por ter uma irmã exactamente da minha idade, falamos sobre tudo.
Carolina: Eu só falo com as minhas amigas, lido com pouco à vontade em relação a estes assuntos, nem com a minha mãe consigo falar.
Patrícia: Eu até me sinto mais à vontade a falar com a minha avó do que com a minha mãe.
Madalena: Eu falo com o meu namorado com toda a naturalidade mas com o meu primo que é mais novo não consigo, ele não me leva a sério, fica super atrapalhado.
Inês: Deve ser difícil para os rapazes entender certas coisas.
Rita: Os anúncios aos pensos e tampões são ridículos, liquido azul, piscinas, raparigas super sorridentes!?!?
Madalena: Os rapazes não percebem nada...
Patrícia: Na escola falam-nos destes assuntos antes do tempo, acho que é no 5.º ano, nessa altura somos muito imaturos e sentimos que aquilo não tem nada a ver connosco, sentimos imensa vergonha.
Inês: Tenho um bom exemplo de uma pessoa que tem uma filha com trissomia 21 e sempre lhe mostrou e falou de tudo de forma natural, como tem outra filha mais velha viveram juntas o crescimento, e esses assuntos são encarados como parte da vida.
Rita: A descoberta do sexo, quando nos apercebemos de como se faz é meio assustador, é estranho.
Carolina: Eu soube de tudo muito tarde, fiquei super chocada, sempre fui muito pudica.
Madalena: A minha mãe dizia-me que era com um beijo que o pai passava uma semente para a mãe.
Rita: Eu acho que é mesmo muito importante as mães falarem com os filhos, para mim é mesmo a coisa mais fundamental para um bom crescimento, para a formação de pessoas informadas e seguras e para não acontecer como á Carolina que não sabia nada e ficou super chocada, isso influência a forma como nos relacionamos com o nosso corpo e com os outros. Custe o que custar as mães (ou os pais, mas é mais difícil) devem ser abertas e falar sobre tudo, deixar também falar, informar, conversar, é isso que vai fazer a diferença, é a coisa mais importante na educação.
Mariana S: Concordo até porque se a mãe não toca nesse assunto não vai ser a filha a puxá-los.
Madalena: Eu vi uma exposição sobre sexo ou sexualidade, no pavilhão do conhecimento, que me chocou imenso porque fui com a escola e nem sabia o que íamos ver.
Rita: Eu também vi, mas fomos em família, lembro-me de andar lá a ver tudo com as minhas irmãs e de pensar que não queria que o meu pai viesse para perto de mim.
Mariana S: Eu tenho uma relação óptima com o meu pai, mas há assuntos que são mais difíceis com ele do que com a minha mãe.
Rita: Eu também sou próxima do meu pai mas as mães percebem-nos melhor.
Carolina: A mim nem me passa pela cabeça falar sobre estes assuntos com o meu pai, era absolutamente incapaz.
Madalena: Eu também não falo com o meu pai.

Nheko: Ser adolescente é difícil?
Patrícia: É uma fase especial, de experiências e de descoberta.
Carolina: É difícil, eu sofro muito mais agora, tenho noção da realidade e como sou dramática é tudo um problema, os rapazes, a vida...
Rita: Ali por volta dos 13 anos, as hormonas são um problema, são as emoções à flor da pele. Parece que a vida deixa de ser a fingir e passa tudo a ser a sério.
Madalena: Eu sempre fui muito céptica, o que é estar apaixonado nessa idade... acho que esta fase ainda é como uma preparação para a fase adulta, ainda é tudo de passagem.
Carolina: Estar apaixonado é para toda a vida!
Mariana S: Acreditam no amor à primeira vista?
Rita: Não sei, estar apaixonado é  sentir que há uma pessoa que mesmo sem a conhecermos temos a sensação que a conhecemos desde sempre, é a nossa alma gémea, é uma coisa do outro mundo, uma coisa que nem é bem real. O amor à primeira vista é também tão "não real"  que até pode acontecer. Mas quem sou eu para dizer o que é estar apaixonado?

Nheko: E quais são as vossas maiores preocupações ou dificuldades?
Rita: Acordar de manhã para ir para a escola! (risota)
Madalena: A pressão dos pais com a escola e as notas.
Rita: O futuro preocupa-me, se vou ter trabalho, se vou conseguir ter uma vida equilibrada, se poderei viajar, conseguir ter a minha casa. 
No presente preocupa-me a crítica social, a ideia que têm de mim. Aqui onde vivemos é muito importante. Há muitos grupos e rótulos, aqui há muito o hábito de atribuir "famas" às pessoas que nem tem a ver com o que elas fazem mas sim com o que os outros acham que elas fazem.
Carolina: Cascais tem uma realidade terrível nesse aspecto, dá-se muita importância a coisas que na verdade não são importantes.
Mariana S: Isso influência muito as nossas opções.


Nheko: As redes sociais têm muita importância na vossa vida?
(Coro): Muita!
Rita: És julgado pelo que publicas e partilhas, mais até do que pelo que fazes na realidade. Eu gostava que não fosse assim mas eu própria faço o mesmo.
Carolina: Esta zona é a pior nestas coisas, conheço gente que vive noutras cidades e é diferente mas eu até gosto, faz parte.
Madalena: Faz parte da nossa vida. Há códigos: "ter uma chapa que rende", "troca de likes"...
Mariana S: Eu preferia quando era mais nova e não havia nada disto.
Madalena: Eu também, farto-me um bocado. E se não publicas nada, é como se não existisses, como se estivesses sem viver. Se não partilhas e como se não tivesse acontecido.
Rita: A internet é uma coisa muito recente mas o desenvolvimento da tecnologia pode ajudar a melhorar a vida das pessoas, no outro dia vi um chuveiro que controla a água que gastas, é fantástico!
Mariana S: Preocupa-me o afastamento que as redes sociais provocam nas pessoas, entre elas e com a vida ao ar livre. Vamos ser cada vez mais sedentários.
Rita: A natureza é insubstituível, o desporto vai sempre levar-nos para a rua e para estarmos uns com os outros. O homem é demasiado inteligente e vai encontrar novas soluções. Acredito que vão haver coisas boas no futuro e acho muito importante que as crianças sejam habituadas desde pequenas a ter gosto pela natureza.
Mariana S: Também acho fundamental levar as crianças a ver coisas, a natureza e museus, eu quero muito fazer isso com os meus filhos mas tenho medo que eles não queiram, que só se interessem por jogos de computador e por ficar no telemóvel.

Nheko: Como imaginam o futuro?
Rita: Tudo mais falso, pessoas cheias de botox, ninguém fica velho e é tudo muito avançado tecnologicamente.
Madalena: Tudo mais rápido e menos poluidor. Espero que haja cada vez mais preocupações ambientais, cada um de nós pode mudar pequenas coisas, somos todos responsáveis pelo mundo onde vivemos.
Mariana S: Gosto muito de conversar sobre o futuro e sobre o passado com os meus avós, eles são muito cultos e têm muita experiência. Eu gosto de pensar no futuro mas também de saber coisas do passado.

Fotografias Vitorino Coragem
Share This Post :
Tags : , , , , ,

Sem comentários:

Enviar um comentário

Sobre Nós

Apresentação

O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

A nossa loja

@nheko_

Seguir por e-mail

Pesquisar