/ 19.1.16 / 3 Comments / , , , , ,

Capicua

Capicua é Ana Matos Fernandes, desde miúda que tem uma adoração por rimas e palavras ditas ao contrário, a sua maior paixão é a escrita e encontra na música a forma de a trazer ao mundo.
Determinada, cheia de desejos por cumprir e ideias por concretizar, esta rapariga do Porto vive intensamente tudo o que faz e procura apressar-se para concretizar o que ainda quer fazer.
Foi no Teatro São Luíz que nos encontrámos para conversar sobre o seu trabalho, a vida em família e tantas outras coisas.
Sejam muito bem-vindos.


Nheko: Como é a tua família?
C: É uma família grande, muitos primos, muitos tios, tenho um conceito de família bastante alargado mas em casa somos três irmãos e somos aquela família bem tradicional, sem nós sermos pessoas tradicionais, mas temos o cão e tudo a que temos direito!
Eu ainda não tenho filhos, é uma coisa que gostava muito, ando a adiar - problemas do 1.º mundo, mulheres emancipadas, vamos pondo tudo à frente - mas é uma coisa que quero, ter filhos e gostava de ter vários, como os meus pais que têm três.
Eu sou a mais velha, os meus pais tiveram os filhos muito espaçados no tempo, faço quase 6 anos de diferença da minha irmã e 12 do meu irmão, (depois passados 6 anos arranjaram um cão), assim cada um de nós foi assim filho único no seu tempo.

Nheko: E a tua infância?
C: Muito próxima dos meus primos e depois com os meus irmãos, eles foram muito desejados por mim (antes de nascerem eu tinha 2 irmãos imaginários), nunca tive ciúmes dos meus irmãos, até porque quando o meu irmão nasceu eu já era uma pré adolescente, mas sempre gostei dessa coisa de ter uma casa grande, às vezes era difícil conseguir ter o protagonismo durante os anos em que eles eram pequenos mas tinha o outro lado bom que era permitir-me uma maior liberdade, os meus pais estavam muito concentrados nos outros dois e eu pude ter muita liberdade enquanto fui adolescente, mas na verdade sempre fui muito responsável nunca houve problemas comigo.

Nheko: Em miúda já gostavas de escrever?
C: Sim, isso foi uma vocação muito clara, para mim e para as pessoas que me rodeavam, não só gostava muito de fazer rimas e brincadeiras de jogos de palavras, o meu pai fazia jogos como dizer palavras ao contrário e também sabia vários poemas de cor e eu sempre tive essa cumplicidade com ele, depois quando aprendi a escrever era a melhor nas redacções e até escrevia para outros colegas, inclusive para os melhores alunos da turma que não tinham esse gosto pela escrita, eu também era uma das melhores alunas. Para mim sempre foi muito fácil a escola e tirando a matemática e a física e química, que eram os meus calcanhares de Aquiles - eu acho que me falta essa parte da inteligência, tenho muitas dificuldades com essas coisas abstractas, para mim é mesmo complicado mesmo que me esforce muito, mas mesmo nestas disciplinas sempre fui passando, eu era daquelas alunas que estava sempre na conversa com os colegas mas quando o professor mandava repetir o que ele tinha dito, eu repetia, isso irritava alguns professores, eu conseguia o multitasking de de falar, ouvir e conseguir bons resultados. A escola sempre foi um assunto pacífico e isso dava-me um certo crédito para ter liberdade, nunca fiz asneiras que pusessem em causa a minha liberdade.


Nheko: E como é que chegaste ao hip hop e a esta cultura mais alternativa?
C: Aos 15 anos comecei a fazer grafiti, o meu pai achava uma certa piada e dizia sempre: "se fores parar à esquadra eu vou-te lá buscar", isto dava-me a confiança que precisava para não ter de esconder as coisa. Eu também me interessava bastante por política, trabalho associativo, fiz parte do SOS Racismo, depois juntei-me ao PSR, que é um dos partidos que depois derivou no Bloco de Esquerda, e os meus pais também por terem vivido o período depois do PREC e terem interesse pela política e pela esquerda, sempre acharam uma certa piada e deixavam-me ir a todas as actividades que eu queria e acabaram por me permitir ir construindo este caminho o que acabou por ser bastante compensatório. O facto de eu ser muito independente, sair à noite sozinha, permitiu-me conhecer a cidade do Porto, safar-me sempre bem, saber os horários dos autocarros e ser autónoma.

Nheko: Esta forma de expressão nunca foi para ti um acto de rebeldia?
C: Nunca precisei disso, os meus pais sempre tiveram noção que eu era muito mais "Mafaldinha que Susaninha", sempre fui contestatária e sempre tive espaço para o ser e até acho que eles alimentavam essa minha característica. Provavelmente se se tivessem oposto a estas experiências que me tornaram mais interessante e preparada para a vida, certamente que eu me teria rebelado, não seria passiva, não tenho essa personalidade face ao que acho injusto. Os meus pais sempre compreenderam isso em mim desde muito pequena. Eu acho que é bom ser assim, especialmente nas mulheres porque nós não somos socializadas para impormos a nossa vontade e sabermos lutar por ela.

Nheko: E na escola, sentes que há essa compreensão?
C: Sinto que nas escolas há sempre a tentativa de uniformizar os percursos sem espaço para sair da caixa, criam-se também relações de grande dependência face à aprovação do professor, até nas actividades mais criativas, lembro-me na questão das redacções, é muito comum ver os miúdos a perguntar "está bom professor?" e depois acaba por haver um modelo muito fechado, se pegarmos em 20 redacções do dia do Pai numa turma são muito semelhantes, parece que foi o professor que as escreveu.

Nheko: O percurso dos teus irmãos é semelhante ao teu?
C: Eles são muito diferentes de mim, a minha irmã sempre foi mais tímida e reservada, o meu irmão é muito dócil, é aquela pessoa que acha sempre que está tudo bem. Eu tenho a particularidade de aprender rápido, isto não quer dizer que seja extremamente inteligente, não, tenho é a capacidade de apanhar as coisas e aplicá-las imediatamente, adapto-me muito bem às críticas e acho que esse é um grande mérito dos meus pais, eu tenho uma auto estima sólida. Na actividade artística fazemos coisas muito pessoais, é preciso ter coragem para nos expormos desta forma, o nosso trabalho tem como matéria prima as nossas emoções, é muito pessoal e dar isto à crítica de uma forma assim, desprotegida para todos opinarem e muitas vezes destruírem requer uma força específica. O facto de eu ter esta auto estima sólida - a auto estima das infâncias felizes - permite-me assimilar as críticas e aplicar rapidamente as aprendizagens que dai advêm. Isso tem-me ajudado, eu sempre aprendi muito mais com as críticas do que com os elogios, até porque gosto pouco dessa coisa de ser consensual. Admito perfeitamente que não gostem do meu trabalho e acho saudável que o critiquem, aliás é preciso ter mais coragem para se dizer que não se gosta do que que se gosta, então quando alguém tem essa coragem e acho sempre que merece ser ouvido, a não ser que seja uma coisa completamente disparatada, o que às vezes também acontece.


Nheko: Quando escreves sentes-te de alguma forma condicionada pela faixa etária do público que maioritariamente ouve hip hop? Escreves para quem?
C: Eu não tenho um target definido, há pessoas de muitas gerações diferentes que acabam por se identificar, mais do que pela estética musical, identificam-se com as palavras, com o que eu escrevo.
Isso é a maior vitória para mim porque o meu trabalho principal é a escrita, muitas vezes se enaltece o facto de eu ser uma mulher num meio maioritariamente masculino, mas eu acho que isso foi mais fácil por que me deu maior visibilidade, a minha maior vitória foi fazer chegar a mensagem - que normalmente está limitada a um grupo pré definido pela idade que tem ou pela tribo urbana a que pertence - e levá-la a outros públicos. Eu costumo dar o exemplo de uma vez que fui tocar ao Theatro Circo a Braga e tinha na plateia o Adolfo Luxúria Canibal e um padre, acho revelador do espectro, da variedade do meu público, havia também uma senhora com 86 anos e uma crianças com 6 anos. Acho que conseguir isto é das coisas que mais me orgulha. A música "Vayorken" passou mais nas rádios, foi nomeada para um globo de ouro - o que eu nunca pensei, chegou às crianças, o que significa que chegou a muita gente, mas na verdade as minhas músicas mais politicas, as que não têm um refrão e falam sobre temas sérios, são as menos comerciais e são aquelas que atraem o público mais adulto pelo seu conteúdo e assim consigo esta diversidade.

Nheko: Escrever para outros também é qualquer coisa que te dá muito prazer.
C: Adoro! Eu nunca quis ser nenhuma performer, aprendi a estar num palco mas não gosto de ser filmada nem fotografada, evito aparecer nos meus videoclips, eu não gosto e não me sinto muito bem como performer, o meu foco é a escrita, se estou em cima do palco, estou concentrada na música e tudo bem, mas se ligam uma câmara e me dizem para ir daqui para ali eu tenho dificuldade, para mim fica sem sentido e nunca gostei disso, não gosto muito da exposição, quem me conhece bem sabe que sou reservada.
O que eu gosto mesmo é de escrever, o momento da escrita é sempre o meu favorito, aquele em que estou sozinha a escrever é o que dá sentido a todo o trabalho e a tudo aquilo que nem gosto; Detesto fazer ensaios de som, entrevistas, andar horas e horas de carrinha, comer mal e em restaurantes, dormir em hotéis, eu não gosto de nada disto, sou muito caseira, gosto de comer da minha comida, dormir na minha cama, sou a antítese da pessoa que gosta de andar na estrada. O momento da escrita é o que justifica tudo. Eu se não tivesse ninguém que me ouvisse não tinha tanto prazer, se me bastasse escrever para mim mesma, mas não basta e a música é um veículo muito poderoso para fazer chegar a minha escrita às pessoas. Para leres um livro tu precisas de o ir buscar à biblioteca ou comprar, arranjar tempo para o ler, tem de parar tudo. Com a música não, a música entra pelo nosso metro quadrado a dentro, está presente; estás no supermercado e tens música, nas lojas, no carro, podes estar a fazer várias coisas ao mesmo tempo e a música estar ali e isso é uma omnipresença e é um veículo da emoção, acentua a emoção que está nas palavras mas que ficam potenciadas, é um veículo incrível e dá mais sentido ao momento da escrita que é tão prazeroso.
Escrever para os outros é fazer isto e ao mesmo tempo poder chegar a territórios onde não ia chegar sozinha, como se me desdobrasse, há coisas que escrevo para outros que não poderia cantar, eu faço Rap e há emoções que não combinam comigo, são para outros mundos, outras estéticas, outras personalidades. Poder calçar os sapatos da Gisela João e escrever um fado ou imaginar a música da Aline Frazão e escrever uma letra, é muito interessante enquanto exercício e porque o que gosto mesmo de fazer é a escrita, para mim é um subir no grau de exigência, é tentar fazer coisas novas.

Nheko: Falando em coisas novas, como é que te surgiu a ideia de fazer um espectáculo para a infância?
C: Eu adoro lengalengas, desde miúda que gosto de jogos de palavras, sempre adorei rimas, trava-línguas e essas coisas, há uns tempos perguntaram-me se eu gostaria de escrever um livro, um romance e eu disse que não, o que eu gostava era de escrever um livro de lengalengas. Acho que é um desafio grande, é levar ao expoente máximo o jogo de palavras, repetições e fazer com que tudo tenha sentido e sentido de humor também, que seja simples de decorar e que as crianças gostem.
O Teatro Municipal S. Luíz convidou-me para fazer esta temporada de concertos que incluía estes espectáculos para as crianças e eu achei que era uma boa altura para criar as lengalengas e para as cantar.

Nheko: Quais foram as diferenças no processo criativo tendo em conta este público alvo?
C: O processo em si não foi diferente porque é escrever para cantar, o exercício é o mesmo. Diferente foi ter este compromisso de escrever em lengalenga que era o que eu queria.
Do ponto de vista formal havia as questões das repetições, jogos de palavras, trocadilhos, a pescadinha de rabo na boca, todos esses truques e foi diferente. Do ponto de vista do conteúdo eu queria andar à volta das questões da agricultura, da ecologia, das hortas - eu tenho uma horta e é o meu hobbie favorito, as plantas aromáticas, sempre gostei desta coisa dos cheiros, das plantas, etc - e a minha ideia era fazer um concerto com este universo, dei-lhe o nome "Mão Verde" que é uma tradução de uma expressão francesa que quer dizer teres jeito para as plantas.

Nheko: E como é que foi a experiência?
C: Superou as expectativas como resultado, os instrumentais foram feitos pelo Pedro Graldes e eu quando os ouvi achei logo que estava tudo muito redondinho, tudo muito coeso, com sentido de humor e uma identidade muito própria. Depois quando escrevi as músicas senti que de facto aquilo colava tudo e que podia ser um disco, da mesma forma que podia ser um concerto, que tinha resultado num todo muito coeso.
Como experiência foi engraçado, eu não estou habituada e que a meio da músicas façam perguntas do tipo "Porque é que estás com essa camisa?" ou "Vais tocar o Vayorken?", não estou habituada a esta participação espontânea que aqui era mesmo incentivada e havia um espaço para porem questões e eu fazia perguntas, havia uma interacção e isso foi muito giro. Foi compensador perceber que gostaram, que se riam e que entendiam as piadas, eu também tinha como objectivo que os pais se divertissem e havia até piadas só para os adultos, isso também correu muito bem. Foi muito divertido. Eu não estava à espera que os concertos esgotassem assim, fiquei muito surpreendida com a vasta procura que há. O público já tem uma relação de confiança com a programação do São Luíz mas não tinha noção que houvesse tanta procura. Fiquei cheia de vontade de ir a outros sítios e de perceber este circuito específico. Acho que esta é uma boa oportunidade de fazer novas aprendizagens, conhecer novas salas, novas cidades, chegar a novos públicos, colaborar com os Serviços Educativos. Aqui vamos repor em Junho e estamos a pensar apresentar novas propostas paralelas como workshops ou outras coisas. 
Para mim a música também funciona muito como ferramenta de intervenção e de mudança de mentalidades e eu sentia que estava a falhar por ainda não ter abordado as questões ecológicas, senti que este era o espectáculo certo para fazer isto, o facto de haver uma educação social por trás, chegar a este público mais jovem e poder fazer um trabalho integrado com outros técnicos ou outros artistas pode abrir muitas possibilidades de intervir e ter maior impacto tornando a intervenção mais profunda e consistente.


Nheko: As linguagens criativas|artísticas estiveram presentes no teu crescimento?
C: Sim, dentro do percurso escolar normal tive algum contacto mas as actividades extra eram a natação (obrigatória para a minha mãe!) e as línguas, ficava pouco tempo para outras mas eu sempre fui muito interessada , gostava de desenhar e mais tarde até fiz cursos de cerâmica e artes plásticas. Mas os meus pais sempre foram grandes consumidores de cultura, sempre fomos juntos a concertos, a exposições, fazia parte. O meu pai tem uma grande colecção de de discos e eu sempre ouvi a sua música, sempre estive muito exposta a todos estes estímulos, sempre foi normal consumir cultura e acho que isso é o mais importante e que é isso que fica nos miúdos, mais do que ter muitas aulas de piano etc, o que é absorvido é o exemplo e a normalidade das vivências, torna-se um hábito, faz parte da vida.

Nheko: E como é agora a tua vida, os teus dias normais?
C: Eu não tenho bem uma normalidade... se há alturas em que passo uma série de dias por casa há outras em que estou muito tempo fora, de um lado para o outro. Em casa eu gosto de estar na minha horta, de estar com os meus amigos, cozinhar, todos os domingos faço pizza, gosto das coisas da casa, tenho uma veia de dona de casa bem forte. Mas não tenho rotinas, é tudo muito imprevisível.

Nheko: E isso que tem atrasado a decisão de ter filhos?
C: Eu fiz um percurso académico mesmo até ao fim, ao doutoramento e nessa altura pensei que não tinha muito tempo para fazer música, quando acabei dediquei-me então a fazer o disco e isso levou-me a fazer muitos concertos e depois outros disco e mais concertos ainda... e o que senti foi que se não aproveitasse estes anos para fazer música, que não faria muito sentido depois. Eu gostava também de fazer coisa ligadas à agricultura mas posso ter uma empresa agrícola aos 50/60 anos está tudo bem, tenho muito tempo para isso, profissionalizar-me na música aos 50 anos seria estranho e difícil, ainda por cima a a minha área que é uma cena mais juvenil e depois também tem a ver com a tua disponibilidade tanto emocional como física, isto é muito desgastante, por tudo isto tinha de ser agora e não depois.

Nheko: No futuro imaginaste então numa quinta rodeada de ervas aromáticas e filhos...?
C: Sim, era isso que gostava e de continuar também a fazer música mas não com o grau de entrega com que faço agora. Para ter filhos é preciso muita disponibilidade mas depois existem os dilemas das mulheres do primeiro mundo, até quando é que dá para adiar? O problema também é que se eu não tivesse isto como uma coisa importante, se fosse do género, se acontecesse aconteceu, senão tudo bem, mas não, se não acontecer eu vou ficar mesmo muito triste! E não posso adiar assim muito até porque tenho receio de quando decidir depois já não ter a idade certa, se fosse homem já não tinha este problema!
Eu vivo, como grande parte da minha geração, o síndrome de Peter Pan, quero ser mãe mas ainda quero ser filha, custa-me crescer, quando pensávamos em ter trinta anos achávamos que teríamos uma vida estável e tudo resolvido e na verdade não temos nada disso, temos muitas dúvidas e vidas instáveis o que não tem de ser necessariamente mau, tem coisas boas, temos uma vida menos monótona e com mais significado, queremos ser felizes, podemos ter menos dinheiro e vidas instáveis mas lutamos por fazer aquilo que gostamos o que é uma coisa muito contemporânea, nós hoje colocamos a realização pessoal à frente da estabilidade.
Sinto as verdadeiras dores de crescimento agora já em adulta, parece que já era suposto ter feito uma série de coisas que ainda não fiz, como se andasse sempre atrasada e com medo de passar do prazo. Acho que esta é a primeira geração que sente que a sua idade biológica e a idade social estão muito desencontradas.
Ter filhos cedo enquanto se é muito jovem pode ter o lado bom de poder contar com mais energia, mas ter filhos mais tarde também tem um lado interessante porque parece que atrasa o nosso próprio envelhecimento. São tudo opções que temos de ir fazendo na vida.


Dezembro 2015, Fotografias Vitorino Coragem
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3 comentários:

  1. Belas fotografias. Bela entrevista. Bela mulher de garra.

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  2. Tinhas razão... depois de ler a entrevista, retracto-me em relação à minha crítica no face, ok? Esta miúda é poderosa!! (mas não posso ouvir o "Vayorken")! :) Paula Vasconcelos

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