/ 28.12.15 / 1 Comment / , , ,

Anna e Chico Vilaça

Francisco Vilaça (Chico) e Anna Bergström Vilaça conheceram-se e casaram em Portugal, viveram 5 anos em Estocolmo na Suécia onde nasceram as suas duas filhas, Carolina e Vera.
Resolveram deixar para trás aquela que é considerada por muitos a sociedade ideal para a vida em família, para regressar a Portugal, onde abriram o restaurante Stockholm Market - STHLM MRKT no Mercado da Vila em Cascais.
Foi com uma simpatia e alegria contagiantes que nos receberam na sua bonita casa enquanto preparavam as decorações natalícias no primeiro natal desta família passado sem neve.





Nheko: Como se conheceram?
Chico: Na discoteca Tamariz, eu estava lá a trabalhar e a Anna apareceu com uma amiga Sueca que tínhamos em comum.
Anna: Eu estava cá a estudar, vim por 4 meses mas acabei por ficar bem mais...
Chico: Tínhamos amigos em comum e a Anna estava a gerir um restaurante muito próximo da minha casa.
Anna: Sim, o Chico ia muitas vezes ao restaurante e eu passava em casa dele depois de fechar, foi tudo muito rápido, o Chico estava muito determinado!
Chico: O Chico??? (risos)
Anna: Eu nessa altura tinha uma atitude muito "self destructive" e quando começámos a sair eu pensei que não ia dar em nada porque eu estava mal comigo própria, mas o Chico fez sempre com que eu me sentisse muito bem, sempre foi muito "gentleman" e isso ajudou-me muito.
Chico: Faz parte da minha forma de ser e da minha educação. Foi uma história de amor bonita que aconteceu na altura certa em ambas as vidas, eu estava muito cansado da vida de bares, DJ, noite... já me sentia muito deslocado de mim mesmo e a Anna também estava à procura de se encontrar.
Anna: Já tínhamos vivido muita coisa cada um na sua vida, este encontro fazia todo o sentido, depois foi tudo muito rápido, desde que nos conhecemos até que casámos.




Nheko: Porque é que decidiram ir viver para a Suécia?
Chico: Cá não me pagavam bem e a Anna também não estava satisfeita com a sua situação, achámos que seria uma boa opção. Vivemos lá dois anos antes de ter a Carolina.




Nheko: A vossa vida mudou muito quando se tornaram pais?
Anna: Mudou mas nunca deixámos que a Carolina se tornasse o único interesse, o foco central da nossa vida e se sobrepusesse a tudo o resto.
Chico: Tentámos sempre que os filhos não fossem o centro da nossa existência, sempre quisemos continuar a viver de forma equilibrada integrando estes novos elementos da nossa família com a máxima consideração mas sem nos anular. Na Suécia as crianças são o centro da família, toda a agenda é feita em volta das suas actividades, nós não queríamos isso para nós.





Nheko: Há uma grande diferença na vossa educação? Como é que se encontram e fazem as vossas opções?
Anna: A educação do Chico é muito mais conservadora, os meus pais e os Suecos em geral são muito mais despreocupados e até desligados, a minha educação é pouco formal.
Chico: Há algumas diferenças evidentes, em Portugal a sociedade está ainda muito formatada sobre os modelos católicos. A nossa educação é oposta mas isso não se reflecte na forma como educamos as nossas filhas. A verdade é que ambos fomos educados com muito amor, ambas as nossas mães foram muito afectuosas e dadas aos filhos, esse é o ponto em comum e é muito forte.
Anna: É isso que nos dá muita confiança com a educação das nossas filhas.





Nheko: Que tipo de pais são?
Chico: Nós damos muito espaço individual e esse é talvez o maior presente que lhes podemos dar. Elas têm virtudes e defeitos como nós, fazem coisas bem e coisas mal, há algumas que obviamente têm de ser rectificadas e limitadas, há outras que apenas temos de as aceitar.
Anna: Elas têm limites e também têm muito espaço e liberdade.
Chico: Esta é uma coisa que por vezes sentimos que condiciona as relações de amizade que temos.
Anna: Quando tens filhos, se tens uma visão muito diferente da forma como os educas isso acaba por condicionar a forma como te relacionas com os teus amigos. É tão bom quando encontras alguém que tem a mesma forma de estar com as crianças, facilita tudo e é libertador.




Nheko. São pais muito diferentes dos que tiveram?
Anna: O meu pai sempre foi muito presente e embora viajasse muito quando estava era muito próximo.
Chico: Eu tive a minha mãe sempre mais presente que o meu pai que trabalhava muito, era o normal. E eu sou o sétimo filho.
Anna: Há uma atitude estranha por cá, a questão de nos dizerem que o Chico é um "pai tipo mãe" ou que tenho muita sorte porque "ele me ajuda imenso"...? Isto não faz sentido nenhum!
Chico: O que eu acho realmente estranho é que as pessoas não aproveitem a oportunidade de estarem mais com os filhos, de criar uma relação próxima, isso é que é esquisito! Não há nada melhor.





Nheko: Sentem que há muitas diferenças entre as duas sociedades?
Chico: Na Suécia há uma coisa fantástica, os miúdos falam imenso com os pais, vê-se na rua, nos transportes, os pais parados a ouvir e as crianças a falar, a contar coisas. Há uma grande diferença no espaço de escuta e diálogo que é dado às crianças.
Anna: A questão do género é uma das grandes diferenças, em Portugal ainda estamos muito atrasados na educação para a igualdade mas na Suécia por vezes isto é levado a um extremo, os rapazes quase que não podem brincar com carrinhos...
Chico: A atribuição de papeis é também muito diferente, eu fiquei 6 meses de licença de paternidade com a Carolina, na Suécia é banal, cá já ouvi muitos comentários do tipo "Tu és tipo Pai-Mãe", eu sou PAI, um pai presente, participativo e interessado, isso não faz de mim Mãe, eu sou PAI.




Nheko: Na Suécia a educação é levada muito a sério, quais são as verdadeiras diferenças nas escolas?
Chico: Na Suécia qualquer escola tem definidos e claros os métodos e opções pedagógicas, isso faz parte da informação base. Há uma maior consciência de todo o processo e uma real valorização da educação, também se sente uma maior responsabilização por parte das pessoas em geral.
Neste campo as diferenças são muito grandes, cá as escolas são fracas, olhando para o meu percurso escolar reconheço essa falta de qualidade.
A Carolina cá começou por integrar a escola Sueca que ainda assim é muito diferente de qualquer escola na Suécia.



Nheko: O que é que vos fez regressar a Portugal?
Chico: Adoramos isto!
Anna: Lá foi difícil.
Chico: A minha integração profissional foi complicada, a língua é uma limitação e há um mercado profissional muito especializado, é tudo muito formatado. Essa foi uma das razões mas depois há a questão das relações sociais que era muito importantes para ambos.
Anna: Havia uma vontade de regressar dos dois.
Chico: Não existem soluções nem sociedades perfeitas, em Portugal temos um cenário muito mais favorável para algumas coisas que nós valorizamos, que queremos para a nossa vida. Sair do nosso pais é muito importante, não só pela experiência que tens lá fora mas também para valorizares o que tens cá dentro.
Anna: As pessoas não fazem ideia do que é a vida em Estocolmo, não fazem ideia o que é viver com quatro horas de luz diária. Eu quando voltei para lá ia contente e cheia de vontade mas ao fim dos 5 anos que lá vivermos senti que não era possível continuar, que não era a vida que queríamos para nós.
Chico: O "recolher obrigatório" do frio e do escuro obriga-te a uma vida muito diferente, nós somos muito sociais, muito virados para fora.
Anna: Nós adoramos estar com os amigos, receber em casa, fazer e ir a jantares.
Chico: Aqui tu encontras um amigo na rua e combinas um jantar para esse mesmo dia, na Suécia combinas um jantar com cinco semanas de antecedência.
Anna: Cheguei a por em causa a nossa capacidade empática, não éramos convidados para nada, tentámos fazer novos amigos e promover encontros, fizemos um esforço enorme mas as pessoas não querem fazer novos amigos, é assim.
Chico: São vidas muito técnicas cheias de organização e tabelas sem espaço para o improviso.




Nheko: E como foi o regresso?
Anna: Foi um processo rápido, sentimos que era mesmo isso que queríamos, tomamos consciência de que essa era a nossa vontade e depois houve a fase de tomada de decisões. Tivemos muita sorte com tudo e viemos cheios de vontade de construir uma vida nova.


Nheko: Vieram abrir um negócio vosso e trazer um pouco da "Suécia" para Portugal, como surgiu essa ideia?
Chico: A ideia inicial era abrir um bar mas depois soube que ia arrancar um projecto para o mercado de Cascais e apresentei um projecto, seguiu-se um período de reuniões, negociações e avançou tudo de forma muito rápida. Para mim foi fundamental esta experiência de 5 anos na Suécia, ganhei grande capacidade operacional, organização e estaleca, tudo isso foi importante para este novo começo e para o nascimento do Stockholm Market.



Nheko: Como foi a escolha dos nomes das vossas filhas?
Chico: Quisemos escolher nomes que fossem absolutamente normais em ambas as línguas.
Anna: Sem saber fomos escolher os dois nomes de uma bisavó minha: Vera Carolina.

Nheko: Pensam em ter mais filhos?
Anna e Chico: Não.
Anna: Não porque estamos mesmo bem assim!

Dezembro 2015, Fotografias Vitorino Coragem

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1 comentário:

  1. Coolt...........
    Fantastico
    Bravisima .......
    Lindos.....
    Bjs
    och massa Pussar Emma Nilsson de Macedo

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O meu nome é Alexandra, vivo com o meu namorado de sempre e juntos temos quatro filhos. Nheko é um espaço de partilha sobre a vida em família - a nossa e outras - e de divulgação de pessoas que fazem coisas realmente inspiradoras. Sejam bem-vindos.

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