/ 11.10.15 / 2 Comments / , , ,

Inês Barahona e Miguel Fragata

Inês Barahona e Miguel Fragata estão juntos desde 2007.
Partilham a vida e os projectos de trabalho, têm uma filha com 4 anos chamada Vitória  e esperam ansiosamente o nascimento de Pilar.
São apaixonados pelo que fazem e apaixonados um pelo outro.



Nheko: Conheceram-se no Centro Cultural de Belém.
Inês: Sim, em 2007, temos como referência a véspera da inauguração do museu Berardo como o início de tudo. Temos uma combinação muito boa: Estaremos juntos enquanto for bom! - Nunca formalizámos uma data mas quando ouvimos falar do aniversário do museu lá nos lembramos: É agora!
Miguel: O contexto é esse, o CCB, o trabalho que fazíamos com a Madalena Victorino.
Inês: Eu estava no Centro de Pedagogia e Animação do CCB desde 2003 e em 2005 passei a efectiva e a fazer parte da equipa permanente da Madalena Victorino, o Miguel tinha aparecido para entrar num projecto.
Miguel: Eu sempre trabalhei como independente, fui para participar num projecto que a Madalena estava a criar, "As ovelhas clandestinas" que inicialmente se chamava "A mala das pedras", depois fiquei a colaborar regularmente com a equipa do CPA-CCB.


N: Desde essa altura que partilham algumas premissas no que respeita à criação para a infância.
M: Trabalhamos no sentido contrário da infantilização e do entretenimento. Tem havido, por um lado uma evolução por outro uma degradação. Começou-se a fazer muito mais mas coisas muito más. Começou a haver mais interesse pela criação para a infância, cada vez mais procura por parte do público e das estruturas, ao ponto de muitos teatros acharem que precisavam de ter um Serviço Educativo mas que depois não tinham capacidade para o menter e limitavam-se a programar para este público sem mais nenhum tipo de preocupação ou de investimento. Mas por outro lado isto representou muito mais oportunidades. Há no entanto ainda muito preconceito em relação à criação para a infância.

N: Faz sentido falar de "criação para a infância"?
I: Há a infantilização que é o menos interessante quando se fala em criar para a infância. Mas há características destes objectos para a infância que exigem uma observação especifica, adequada. É durante o processo criativo que temos de ter em conta essa especificidade, é importante fazer ensaios com público e utilizar várias estratégias que permitam essa adequação, esse conhecimento.
M: Tal como na criação para o público adulto temos de experimentar coisas, perceber o público alvo.
I: Sim e ao contrário do que se pensou durante anos, este público é exigente. Muitas vezes há uma facilitação nos trabalhos para crianças - muita cor, muito barulho e chega, não precisas de te preocupar com mais nada! - Há que perceber que este público é sensível, são seres pensantes com a mente aberta... é um público que ainda não tem convenções!



N: E qual tem sido a vossa experiência no trabalho com as escolas?
M: O nosso trabalho sempre viveu muito da relação com as escolas, com os professores.
I: Por vezes são coisas muito simples que oferecem grandes resultados nesta relação. Se um professor chega a um sítio e percebe que o seu papel é importante, se é bem acolhido e valorizado, se conseguimos ter uma atitude inclusiva, se o professor sente que faz parte, aí temos um aliado precioso, temos um elemento fundamental e isso tem um impacto brutal nos seus alunos, de repente já todos estão de outra forma, já se relacionam com o espaço e com toda a envolvente de forma diferente - O professor é uma âncora, é o exemplo, tal como os pais.
M: Temos falado muito nisso, se há um trabalho grande a fazer junto dos miúdos, há um trabalho ainda maior a fazer junto dos professores.
I: Se tens um professor que não é leitor, que não tem hábitos de consumo cultural, que não é ouvinte de música, etc, isso transparece, as crianças não não têm referências. Trabalhar com as crianças e esquecer os adultos que estão com elas não tem impacto nem resultados, torna-se muito difícil intervir. Há neste campo uma enormidade de possibilidades de fazer pontes entre o que se vai ver e as matérias curriculares, ligar um espectáculo às matérias de geografia, matemática... é só querer, ter disponibilidade para isso. Temos tido muitos bons exemplos de professores que o fazem, essencialmente através de uma grande disponibilidade e humildade, para desenvolver este trabalho é preciso estar aberto, deixar de querer dominar tudo.


N: Neste contexto da arte e do consumo cultural como é que funcionam em casa com a vossa filha?
M: Há coisas como "a caixinha mágica" que são de consumo controlado, tem uma utilização muito limitada, tentamos escolher o que mostramos mas em casa dos avós não interferimos, o consumo é livre.
I: Não vamos ver coisas tantas vezes como gostaríamos, vamos com descontracção e sem nos sentirmos obrigados.



N: O vosso olhar, relativamente a espectáculos ou outros objectos artísticos, mudou desde que foram pais?
M: Conscientemente não.
I: Eu senti uma mudança grande em relação a uma coisa, agora compreendo muito melhor os pais, absolutamente, a minha leitura dos comportamentos dos pais mudou muito.
M: Sim, como artista eu ás vezes observava alguns comportamentos dos pais com total indignação.
I: Somos mais tolerantes nesse aspecto mas na criação em si não mudei a forma como olho e construo as coisas. Há coisas que agora percebo melhor até porque temos um "espécime" cá em casa para observação.



N: "A caminhada dos elefantes" foi o vosso primeiro trabalho juntos com estas características?
M: Embora tenhamos trabalhado juntos durante vários anos, esta foi a primeira vez que criámos um espectáculo em conjunto.
I: O Miguel já tinha falado em abordarmos o tema da morte num espectáculo para crianças mas foi quando ficámos à espera da Vitória que se tornou óbvio que o tínhamos de fazer, ambos sentimos isso.



N: É fácil trabalharem juntos?
I: Não, não é nada fácil. Há alturas em que já não nos podemos ver, porque depois nunca desligamos, estamos sempre a trabalhar. Ainda andamos à procura da fórmula certa, na atribuição e distribuição dos papéis, do que sai para fora ser coerente com o trabalho que fazemos, não é fácil mas nós adoramos! Nós somos apaixonados pelo que fazemos e somos apaixonados um pelo outro!
M: A maior dificuldade é saber parar, é uma aprendizagem que ainda não fizemos.


N: Tem sido possível, ao longo destes anos todos, viver disto, ter este trabalho como forma única de subsistência?
I: Temos tido muita sorte, temos conseguido parcerias e desenvolvido projectos que nos têm permitido estar sempre a trabalhar, de qualquer forma eu tenho uma outra fonte de rendimento que é fixa e que nos dá maior estabilidade. Acho que esta nossa geração consegue viver assim de uma forma menos planeada, nós por exemplo não olhamos muito para o futuro, quando temos dinheiro vamos viajar! Somos muito impulsivos.
M: Nunca tive vínculo nenhum, sempre fui independente, se temos dinheiro viajamos mas se não temos dinheiro e não podemos fazer algumas coisas, também vivemos bem com isso.
I: Para mim tem sido uma aprendizagem, venho de uma família muito conservadora, tenho outro registo em termos da minha educação mas vivemos muito bem assim. Temos um projecto: nós não somos casados e decidimos que vamos casar em Las Vegas, até temos uma conta só para isto! Antes da Vitória ter 6 anos queremos fazer uma viagem "coast to coast" e casar em Las Vegas com o Elvis, claro!



N: Como escolheram o nome da vossa filha Vitória?
M: Primeiro era importante que fosse um nome forte por si, suficiente, que dispensasse apelidos.
I: Eu detesto apelidos, cresci num meio muito conservador onde os apelidos tinham um grande peso.
M: Tínhamos essa premissa e depois cada um fez uma lista.
I: E havia poucos nomes em comum, Vitória era um deles. Aos três meses de gravidez morreu a minha avó, a sua mãe chamava-se Vitória, eu não cheguei a contar à minha avó da gravidez porque estávamos a querer deixar passar aqueles primeiros meses e então fez todo o sentido a escolha do nome, são daquelas coisas meio esotéricas e que casam perfeitamente com as hormonas da gravidez. 


N: Quais os traços mais marcantes na personalidade da Vitória?
I: Há uma coisa muito gira que é a forma de pensar, a associação de ideias, os caminhos. Há pouco disse-me: "Se o pai tivesse duas bocas podia estar a conversar com a Alexandra e a brincar comigo ao mesmo tempo" acho isto fantástico!
M: Fascina-me o sentido de brincadeira, a capacidade de brincar e gozar, o sentido de humor.




N: A Vitória e mais parecida com o pai ou com a mãe?
I: Tem uma energia e uma alegria muito parecida com a do Miguel.
M: Da Inês tem a capacidade de ser articulada, pensa e põe em palavras com uma facilidade enorme, daí também o interesse que tem por histórias, a palavra é o campo dela.

N: Quais são os vossos livros favoritos?
I: "Diógenes" é um livro incrível, um diário de vários elementos de uma família que fazem colecções inusitadas.
M: É muito difícil... há tantos, talvez "O elefante acorrentado", quando nos preparámos para fazer "A caminhada dos elefantes" conhecemos livros incríveis sobre a morte, livros muito bonitos.



N: Quais os vossos programas habituais em família?
M: Vamos muito à cinemateca, passear ao parque na primavera, almoçar os três, a Vitória é muito petisqueira, adora conhecer e experimentar coisas novas.
I: Mas ás vezes a Vitória pede para ficar em casa, como andamos muito por fora há ocasiões em que ela pede para ficar a brincar em casa. Nós temos o hábito da levar connosco, de nos acompanhar em todas as coisas mais normais como ir comprar os materiais para o cenário, ela faz parte de tudo e qualquer programa pode ser interessante com ela, é uma questão de perspectiva. Quando fomos a Madrid queríamos ir aos museus e criámos uma espécie de jogo em que a Vitória andava pelos sítios à procura de personagens que lhe tínhamos apresentado, foi divertido para os três.



N: Vocês são pais muito diferentes dos pais que têm?
I: Eu sou muito diferente dos meus pais, às vezes tenho tendência em reproduzir algumas coisas, quando me distraio oiço o meu pai nas minhas próprias palavras, de vez em quando vem ao de cima um tipo de "paranóia organizativa" género militar, umas irritações idiotas por coisas insignificantes.


N: Sentem-se preparados para a chegada do bebé?
I: Não!
M: Não, ainda estamos naquela fase em que nos faz confusão pensar como é que isto vai acontecer, como é que este sentimento se pode multiplicar. A gravidez da Vitória foi vivida com uma tranquilidade enorme, esta está a ser completamente diferente, cheia de trabalho, de stress, desta vez nem abrimos ainda o livro da gravidez, na primeira era pratica diária!



N: A Vitória acompanha-vos quando vão para fora?
I: Sim, sempre foi "cacheira viajante".
M: Sempre que vamos para norte a Vitória fica no Porto com a minha família.
I: Ela pergunta: "agora vamos viver aqui?"
M: Quando são saídas mais curtas fica com os Pais da Inês.
I: Os pais do Miguel são incríveis, nunca pensei conhecer pessoas tão generosas. A Vitória mamou até fazer 1 ano, durante o dia mamava de duas em duas horas, nunca aceitou biberão nem mesmo com o meu leite, os pais do Miguel ficavam com ela e levavam-na a mim onde quer que eu estivesse.
M: É muito bom que ela tenha esta diversidade de experiências.
I: Quando a Vitória fica com a avó do Miguel que tem 80 anos e tem uma casa com patos, galinhas, etc, a única recomendação é que venha muito suja!


N: Na escola da Vitória aceitam bem estas ausências?
M: Em geral sim, nunca levantaram problemas mas há momentos em que sentimos que é difícil gerir as ausências como por exemplo nesta altura de final do ano com as actividades que preparam, a festa, as saídas...

N: Com que idade a Vitória foi para a escola e quais foram os vossos critérios na escolha?
M: A Vitória está na escola desde os dois anos e meio, é uma escola muito familiar e calorosa, tínhamos muito boas referências da escola do tempo em que trabalhávamos no CCB e é muito perto de casa.



N: Na vossa dinâmica familiar quem mima quem?
I: O Miguel é quem dá colo a todos. A casa pode estar virada, ainda não sabemos o que vamos jantar, está na hora do banho mas, se é preciso brincar um bocado é isso que o Miguel faz, senta-se no chão e brinca. Eu tenho vindo a descontrair, a aprender muito com isto.

N: Ficaram mais "piegas" desde que foram pais?
I: Mais piegas não, mas quando estou grávida fico muito sensível.
M: Eu acho que sim, fiquei mais piegas e mais sensível a certas coisas que antes me passavam ao lado, nas notícias, nos filmes... é a emoção à flor da pele!


N: A Vitória vai ser a irmã mais velha, vocês têm irmãos?
I: Somos ambos os irmãos mais novos. Eu tenho duas irmãs e temos grande proximidade de idades, tínhamos uma relação muito conflituosa, agora não. O Miguel tem uma irmã mais velha. estamos muito curiosos com esta nova fase da nossa família.



N: Aproveitam quando estão fora para namorar?
I: Sim, a doula que acompanhou a gravidez da Vitória disse-nos que nós os dois, o casal, é o nosso primeiro filho e nunca nos podíamos esquecer deste nosso filho. Volta e meia olhamos um para o outro e dizemos que temos de ir tratar do nosso primeiro filho.



N: Como é que se imaginam daqui a uns 40 anos?
M: Iguais! Na sequência do nosso caminho, próximos do que somos hoje e disponíveis, para muita coisa... para os netos!

Maio 2015, Fotografias Vitorino Coragem
Inês Barahona
Nasceu em Lisboa, em 1977. Licenciada em Filosofia. Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Faculdade de Letras (Universidade de Lisboa).
Fundou e dirige com Miguel Fragata a FORMIGA ATÓMICA.
Ingressou no Centro de Pedagogia e Animação, do Centro Cultural de Belém, em 2005, sob a direção de Madalena Victorino, onde desenvolveu projetos de relação entre as artes e a educação para público escolar, familiar e especializado.
Desenvolveu, em 2008, com Madalena Victorino e Rita Batista, para a Direção-Geral das Artes, "O Livro Escuro e Claro", cuja distribuição acompanhou em 2012, dando formação a equipas e professores. Colaborou ainda na conceção da exposição "Uma Carta Coreográfica" da autoria de Madalena Victorino, para a Direção-Geral das Artes. Integrou a equipa de Giacomo Scalisi, vertentes de Produção e Relação com a Comunidade, na inauguração do Teatro Municipal de Portimão, em 2008. Trabalha em áreas como a escrita e a dramaturgia, com Madalena Victorino ("Caruma" e "Vale"), Giacomo Scalisi ("Teatro das Compras"), Teatro Regional da Serra de Montemuro ("Sem Sentido"), Catarina Requeijo (assistência de encenação ao espetáculo "Amarelo", texto de "A Grande Corrida") e Circolando (apoio dramatúrgico à criação do espetáculo “Água”). Encenou, em 2012, o espetáculo "A Verdadeira História do Teatro", para o Teatro Maria Matos, em 2013, “A Verdadeira História da Ciência”, para a Fundação C. Gulbenkian.
Concebeu ainda em 2013 com Miguel Fragata “A Caminhada dos Elefantes”. Dá formação na área da escrita a professores e adultos, no Sou – Movimento e Arte, Fundação C. Gulbenkian e Circolando.

Miguel Fragata
Nasceu no Porto, em 1983. Estudou no Colégio Alemão do Porto. É licenciado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Completou o Bacharelato em Teatro na Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo.
Fundou e dirige com Inês Barahona a FORMIGA ATÓMICA. Em 2007 encenou e interpretou o espetáculo “Atentados em Experiência”, apresentado no São Luiz Teatro Municipal, integrado no ciclo Novos Atores. Em 2015, concebeu e encenou o espetáculo “O Homem Sem Rótulo” para a EGEAC - Padrão dos Descobrimentos.
Em 2013, concebeu e encenou, com Inês Barahona, o espetáculo “A Caminhada dos Elefantes”, um projeto financiado pela Direção-Geral das Artes e coproduzido pelo Teatro Maria Matos, Teatro Viriato, Centro Cultural Vila Flor e Artemrede — Teatros Associados. Foi ainda o intérprete a solo deste espetáculo. Nesse ano dirigiu, com Giacomo Scalisi, a 5a. edição do projeto “Teatro das Compras”, uma produção da EGEAC no âmbito das Festas de Lisboa. Criou e interpretou vários espetáculos que integraram as edições anteriores do mesmo projeto. Fez assistência de encenação a Bruno Bravo, Diogo Dória, Claudio Hochmann e Madalena Victorino. Trabalha regularmente como intérprete nos espetáculos da companhia de teatro Mala Voadora, sob a direção de Jorge Andrade, e também como intérprete e cocriador nos espetáculos de Madalena Victorino. Trabalhou como ator em espetáculos de Cristina Carvalhal, Catarina Requeijo, Rafaela Santos, Pompeu José, José Rui Martins, José Carretas, Gabriel Villela, entre outros. Em cinema trabalhou com Pedro Palma e Maria Pinto. Interpretou e cocriou espetáculos para crianças, com Inês Barahona, Agnès Desfosses (Compagnie Acta - Paris), Vera Alvelos, Catarina Requeijo e Madalena Victorino. Colaborou ainda na conceção da exposição "Uma Carta Coreográfica" da autoria de Madalena Victorino, para a Direção-Geral das Artes. Desenvolve projetos de relação entre as artes e a educação, através da criação de oficinas artísticas, visitas encenadas e pequenos espetáculos para a Artemrede — Teatros Associados, Casa das Histórias - Museu Paula Rego, Centro Cultural de Belém, Festival Todos, Fundação Calouste Gulbenkian, Padrão dos Descobrimentos, Rede TEIAS, Teatro Maria Matos e Teatro Viriato. Colabora também com a editora Orfeu Negro, através da criação de leituras encenadas.
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2 comentários:

  1. teresacariamendes@gmail.com12 de outubro de 2015 às 10:49

    Conheci a Inês do tempo do CPA/CCB, sempre a senti como uma construtora de pontes, um elfo a ligar ideias e pessoas. O seu pensamento uma floresta viva e uma presença harmónica entre o fervilhar da criação e uma prontidão serena. Que bom poder conhecer aqui o país mágico em que vives.
    teresa caria

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  2. Primeiro estranha-se e depois vai-se entranhando à medida que se vai lendo. Gostei mesmo muito! Esse fluir da e na vida, é simplesmente maravilhoso!

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